
Equipes da Polícia Civil do Amazonas chegaram, na manhã desta sexta-feira (6), a um imóvel pertencente à empresária e ex-candidata ao Governo do Estado, Maria do Carmo Seffair (PL), localizado na rua Acre, no bairro Vieiralves, zona centro-sul de Manaus, para cumprir um mandado judicial de busca e apreensão.
Ao chegarem ao endereço, os policiais não encontraram a empresária no local. A diligência faz parte das investigações sobre a produção e a divulgação de vídeos com acusações contra o governador eleito Omar Aziz (PSD), durante o segundo turno das eleições estaduais.
Até o momento, não há informações sobre a apreensão de aparelhos celulares, computadores, documentos ou outros materiais que possam interessar à investigação.
A operação ocorre um dia após Maria do Carmo divulgar um vídeo afirmando que estava em sua residência, aguardando a chegada dos policiais. Na mesma ocasião, sua defesa ingressou com um novo pedido de habeas corpus para tentar evitar uma eventual prisão.
A diligência desta sexta-feira ocorre após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) restabelecer a autorização para buscas e apreensões relacionadas à investigação.
Na terça-feira (3), o desembargador Paulo Feitoza revogou uma decisão anterior que havia suspendido as buscas contra Maria do Carmo.
O magistrado considerou que a eventual entrega voluntária de aparelhos eletrônicos pela investigada não substituía a necessidade de cumprimento das diligências policiais destinadas à localização e à preservação de provas.
A decisão abriu caminho para a execução da ordem judicial cumprida pela Polícia Civil nesta sexta-feira.
O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e teve origem em uma denúncia apresentada por Omar Aziz e sua família após o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro.
A investigação apura a produção e a distribuição de vídeos com acusações contra o então candidato ao Governo do Estado, divulgados principalmente por aplicativos de mensagens.
Um dos materiais fazia referência à chamada CPI da Pedofilia e, durante a apresentação das acusações, exibia uma imagem de Omar Aziz ao lado da filha, ainda criança.
A divulgação do conteúdo motivou a investigação criminal, que busca identificar os responsáveis pela produção, pelo financiamento e pela distribuição dos vídeos.
No dia 29 de outubro, policiais civis cumpriram mandados em endereços relacionados a profissionais de marketing que trabalharam na campanha de Maria do Carmo. As diligências ocorreram em Manaus e São Paulo.
Na quinta-feira (5), a defesa da ex-candidata ingressou com um segundo pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Amazonas.
Diferentemente do primeiro pedido, apresentado para tentar impedir as buscas e apreensões, a nova medida buscava proteger Maria do Carmo contra uma eventual ordem de prisão preventiva ou temporária.
O pedido foi apresentado diante do receio manifestado pelos advogados de que a empresária pudesse ser presa no decorrer das investigações.
Até então, não havia confirmação de mandado de prisão contra a ex-candidata.
Também na quinta-feira, Maria do Carmo divulgou um vídeo afirmando que estava em casa e aguardava a chegada dos policiais.
Na gravação, declarou confiar na Justiça e afirmou que as investigações deveriam esclarecer os fatos.
A empresária nega participação na produção do material investigado e sustenta ser vítima de perseguição política.
A ausência de Maria do Carmo no imóvel da rua Acre foi constatada durante a diligência realizada na manhã desta sexta-feira.
Como a ordem judicial é de busca e apreensão, e não há notícia de mandado de prisão, a ausência da empresária no local não significa, por si só, descumprimento de determinação judicial.
A investigação tramita sob segredo de Justiça por envolver a imagem de uma pessoa menor de idade.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou um balanço dos materiais eventualmente apreendidos durante a diligência desta sexta-feira.
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