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Polícia Investigação

Dono da Havan e Roberto Jefferson são alvos da PF em operação

Operação faz parte do inquérito que investiga produção de notícias falsas. Alvos são aliados do presidente Jair Bolsonaro; ministro do STF determinou ainda depoimentos de deputados.

27/05/2020 09h24 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Dono da Havan e Roberto Jefferson são alvos da PF em operação

A Polícia Federal realizou buscas e apreensões nesta quinta-feira (27) no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura produção de informações falsas e ameaças à Corte — conhecido como "inquérito das fake news".

Entre os alvos estão o ex-deputado federal Roberto Jefferson; o empresário Luciano Hang, dono da Havan; os blogueiros Allan dos Santos e Winston Lima. Eles são aliados do presidente Jair Bolsonaro.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso desde que ele foi aberto, em março de 2019.

As buscas com relação a Jefferson foram realizadas em dois endereços dele: um na cidade de Comendador Levy Gasparian e outro em Petrópolis (ambas no Rio de Janeiro).

Hang teve buscas em dois endereços em Brusque e um em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Além desses dois estados, mandados foram cumpridos em São Paulo, no Mato Grosso, no Paraná e no Distrito Federal.

Ao todo, a operação tem 29 mandados de busca e apreensão.

Os alvos dos mandados são:

Luciano Hang, empresário (SC)

Roberto Jefferson, ex-deputado federal (RJ)

Allan dos Santos, blogueiro (DF)

Sara Winter, blogueira (DF)

Winston Lima, blogueiro (DF)

Edgard Corona, empresário (SP)

Edson Pires Salomão (SP)

Enzo Leonardo Suzi (SP)

Marcos Bellizia (SP)

Otavio Fakhoury (SP)

Rafael Moreno (SP)

Rodrigo Barbosa Ribeiro (SP)

Paulo Gonçalves Bezerra (RJ)

Reynaldo Bianchi Júnior (RJ)

Bernardo Kuster (PR)

Eduardo Fabris Portella (PR)

Marcelo Stachin (MT)

Ao longo das investigações, laudos técnicos demonstraram que um grupo produz e dissemina as informações falsas, sempre com o mesmo padrão. Foram identificados pelo menos quatro financiadores desse grupo.

Ao todo, as investigações já identificaram ao menos 12 perfis em redes sociais que atuam na disseminação de informações, de forma padronizada, contra ministros do tribunal.

Isso significa, por exemplo, que esses perfis encaminham o mesmo tipo de mensagem, da mesma forma, na mesma periodicidade. Técnicos cruzam informações para tentar localizar financiadores desses perfis.

Deputados que serão ouvidos

O ministro Moraes determinou ainda que deputados deverão ser ouvidos no inquérito em até 10 dias. Eles não foram alvos de mandados nesta quarta (veja aqui o que eles disseram sobre a determinação). São eles:

Deputados federais

Bia Kicis (PSL-DF)

Carla Zambelli (PSL-SP)

Daniel Silveira (PSL-RJ)

Filipe Barros (PSL-PR)

Junio Amaral (PSL-MG)

Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP)

Deputados estaduais

Douglas Garcia (PSL-SP)

Gil Diniz (PSL-SP)

Delegados mantidos na investigação

Em 24 de abril, dois dias depois de Bolsonaro trocar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Moraes determinou que os delegados responsáveis pelo inquérito fossem mantidos, mesmo com as mudanças na chefia da corporação.

Na prática, a decisão de Moraes tinha o objetivo de blindar as investigações contra interferências.

O inquérito foi aberto em março de 2019 e terminaria em junho deste ano, mas pode ser prorrogado.

Manifestações dos investigados

Allan Santos

Ao G1, Allan Santos disse: "É incrível, não tem nenhum trabalho sendo feito com membros do PCC, com membros do MST, com jornalistas que criticam ministros do STF, sobretudo nesse inquérito inconstitucional. Inquérito esse que meus advogados até agora não têm acesso aos autos. [...] Hoje sou eu, amanhã são vocês, jornalistas. [...] Vai ser patético para a Suprema Corte inteira. Vão revirar todos os documentos do Imprensa Livre. Vão ver que a gente vive de todos os produtos que a gente vende".

Douglas Garcia (PSL-SP)

Em uma rede social, Garcia disse que operação é tem o "intuito de criminalizar a liberdade de expressão e a atividade parlamentar".

Luciano Hang

Em nota, Luciano Hang disse que tem a consciência tranquila de que jamais atentou contra os ministros do STF ou contra a instituição. "Nada tenho a esconder, uma vez que tudo o que falo está nas minhas redes sociais e é de conhecimento público."

Reynaldo Bianchi Júnior

Em uma rede social, Biannchi divulgou um vídeo mostrando a presença dos agentes da PF na sua residência. "Querem me calar? Não sou o Lula e não tenho medo de policiais, sou homem honesto e Íntegro", escreveu.

"Sem vitimação, acabei de operar a próstata e ainda estou com sonda urinária, mas caguei pra isso! Se estão usando a PF pra me calar, quer dizer que eles estão com medo! Eu estou com DEUS! Obrigado pela força de TODOS!", adicionou.

Roberto Jefferson

Pelas redes sociais, o ex-deputado federal se manifestou chamando de "atitude soez, covarde, canalha e intimidatória" os mandados de busca e apreensão expedidos por Moraes.

"TRIBUNAL DO REICH. Instituído por Hitler,após o incêndio do Parlamento, aquele tribunal escreveu as páginas mais negras da justiça alemã, perseguindo os adversários do nazismo. Hoje o STF, no Brasil, repete aquela horripilante história. Acordei às 6 horas com a PF em meu lar", escreveu Roberto Jefferson.

Rodrigo Barbosa Ribeiro

Em transmissão ao vivo em uma rede social, Ribeiro disse: "Foi constrangedor receber a PF enquanto ainda estava deitado, minha irmã ficou constrangida. Ninguém espera, ainda mais quando é de alguém que não deve nada. Fico triste ao saber que minhas opiniões foram motivo de intervenção. É triste saber que você não pode ter uma opinião que desagrade o ministro do STF. [...] Essas pessoas que foram vítimas de mandados de busca e apreensão, que eu conheço, a maioria delas estão lutando por uma coisa, pela sua liberdade, pelo seu direito como cidadão".

Sara Winter

Em uma rede social, Sara Winter disse que a polícia levou seu celular e seu notebook. "Meus advogados já chegaram, vamos pra cima! O Brasil não será uma ditadura. Hoje, Alexandre de Moraes comprovou que está a serviço de uma ditadura do judiciário. [...] Estou praticamente incomunicável! Moraes, seu covarde, você não vai me calar", escreveu.

Winston Lima

Em uma rede social, Winston Lima afirmou que recebeu "visita da Polícia Federal, que procedeu uma busca e apreensão de computadores e celulares" em sua casa, mas que não foi informado do motivo.

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