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Bodas de ouro

Eles construíram muitas coisas durante esses cinquenta anos, a mais importante, com certeza, é a família.

27/05/2020 09h07
Por: Redação
Bodas de ouro

Cinquenta anos. Esse foi o tempo necessário para que este texto pudesse ser escrito, mas nem por isso está finalizado. Isso porque ele discorre sobre uma história ainda em curso, a história de Maria das Graças, mais conhecida como Graça, e de Raimundo, mas conhecido como Dinho. Em 23 de maio, eles completaram 50 anos de casados. E convenhamos, no mundo em que vivemos, pode-se afirmar que se trata de um milagre. E eles acreditam em milagres, algo que aprenderam com seus pais, Zilda e Abel, e Maria Lucimar e Waldemar.

Como ocorre em todos os relacionamentos, eles tiveram seus percalços, a começar na época de namoro, pois os pais achavam que eles eram muito jovens para namorar... Tinham entre 12 e 13 anos (é preciso concordar com os pais, não é?). Mas o destino deu um empurrão em unir esse casal. A irmã de Dinho, Neire, casou com o tio de Graça. E daí em diante não houve nada que pudesse separá-los. Os problemas ao longo caminho não foram maiores do que o amor que uniu Graça e Dinho. Se contássemos todo o período em que eles estão juntos (namoro e casamento), somaria 60 anos, o que os permitiria comemorar, assim, Bodas de Diamante.

Eles construíram muitas coisas durante esses cinquenta anos, a mais importante, com certeza, é a família. Algo que fica evidente em um dos versículos favoritos de Graça: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos e a glória dos filhos são seus pais” (PV 17:6).

A primogênita é Ana Gracilene, seguida de Gracelane e Graciene (sim, a base do nome das mulheres é o nome da mãe! Sem comentários...). Depois vieram os rapazes. O primeiro Raimundo Nonato, em homenagem ao pai, o segundo Abel, em homenagem ao avô, e por fim o caçulinha Marcos Alexandre, cujo nome foi inspirado em um dos primeiros alunos de Graça.

Criar seis filhos não foi fácil. Dinho era motorista na empresa Protesoldas e Graça era professora em escolas privadas, até que passou em concurso público para a secretaria municipal de educação de Manaus. Trabalhavam o dia todo enquanto a vó Zilda ajudava na criação dos netos. Não foram tempos fáceis, mas nada faltou aos filhos. Da infância, eles lembram do cheiro de café preparado pelo avô Abel e do gosto do suco “Ki Suco” servido com pão ou filhós, iguaria que só a Graça sabe fazer.

Do pai, lembram as partidas de futebol a que assistiram e também dos passeios no antigo banho da ponte da Bolívia. Ah, os que mais curtiram essa fase foram os quatro primeiros filhos, pois Abel ainda estava a caminho e Marcos ainda não estava nos planos.

Os filhos cresceram, começaram a trabalhar, a estudar, e a constituir sua própria família. Foi assim que reconheceram o amor com o qual foram criados e os sacrifícios que os pais precisam fazer, colocando as necessidades dos filhos acima das suas. E isso os manteve próximos, mesmo que agora distantes fisicamente. Eles se reúnem em ocasiões familiares especiais, como aniversários e tinham planejado uma grande festa para comemorar as Bodas de Ouro. O que não foi possível por conta do momento que vivemos.

O ouro (do latim aurum) significa brilhante e é um metal nobre, resistente, igualmente ao relacionamento de Graça e Dinho. Que essa resistência possa ser forjada no dia a dia com amor, amizade e cumplicidade. Que, assim como eles, eu e você tenhamos perseverança para compreender o outro no dia a dia. Que todos possamos compreender que a caminhada se cumpre com paciência e um passo de cada vez. 

Professora Doutora Graciene Siqueira 

Graciene Silva de Siqueira

Graciene Silva de Siqueira é professora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas em Parintins desde 2009. Possui mestrado em Ciências da Comunicação (UFAM/Manaus) e doutorado em Letras (Mackenzie/SP). Trabalhou onze anos em redações de jornais como A Crítica, A Notícia, Diário do Amazonas e O Estado do Amazonas, nas funções de repórter, colunista e editora.

Apaixonou-se por filmes quando trabalhou em uma videolocadora nos anos 1980. Escreveu roteiro de curtas-metragens premiados no Amazonas, como Telefone sem fio, Além da vida e Sonhos, e outros exibidos em festivais, como Mormaço e Próximo ponto. Pesquisa e coordena projetos relacionados à Sétima Arte na Ufam. Em seus planos estão escrever o roteiro de um longa-metragem e um livro de crônicas.

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Sobre Graciene Siqueira
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