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Aldeias do Andirá e Marau resistem ao Coronavírus

Alguns índios deixam aldeias que não estão no cinturão de isolamento e transitam normalmente na cidade de Maués

25/05/2020 22h14 Atualizada há 2 meses
Por: Carlos Alexandre
Aldeias do Andirá e Marau resistem ao Coronavírus

Carlos Alexandre | CNA7
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Parintins (AM) – A guerra contra o novo Coronavírus nas aldeias indígenas do Baixo Amazonas é intensa. Até o momento apenas uma morte foi registrada na sede do município de Maués e ainda não há o registro da doença nas reservas do Marau/Andirá e Nhamundá/Mapuerá, mas nos índios que moram nas cidades já somam 30 casos, de acordo com o boletim epidemiológico da SESAI. As aldeias resistem, mas não se sabe até quando, pois muitos indígenas deixam as terras e seguem para a zona urbana de Maués, Nhamundá, Parintins, Barreirinha e Boa Vista do Ramos, que fazem parte da jurisdição do Distrito Sanitário Especial Indígena de Parintins (DSEI), no Amazonas.

O órgão conta com uma população de 17.130 indígenas, 17 etnias e 126 aldeias, incluindo municípios do estado do Pará. “Nós estamos aqui cuidando desta questão do Covid com muito trabalho, muita determinação. Estamos com as equipes do DSEI em todos os cinco municípios, nos treze pólos de atendimento com médicos, enfermeiros e técnicos. Tivemos um reforço na questão de medicamento, reforço de EPI e, principalmente, reforçando a campanha de orientação e conscientização do perigo dos riscos do coronavírus”, garante o coordenador do distrito, José Augusto dos Santos Souza.

Sérgio Butel coordena as ações da Funai em Parintins. Foto: Carlos Alexandre

 

As ações contam com o apoio dos poucos funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Parintins. A aliança criada faz um cordão de isolamento para proteger as aldeias e tem o apoio das prefeituras desses 5 municípios, mas duas localidades preocupam o coordenador da Funai, Sérgio Butel. “Na região do Marau, município de Maués,  tem  uma equipe do DSEI e da FUNAI na entrada do rio monitorando essa situação. O que ocorre é que nós temos duas comunidades que ficam fora da terra indígena, abaixo do local onde está a barreira. Então, algumas pessoas dessas comunidades acabaram vindo pra cidade sem autorização, sem o monitoramento da FUNAI ou do DSEI e vieram até Maués, o que gera muita preocupação, porque se algum deles levar o vírus para a aldeia vai ser terrível”, alerta.

Impedir que o vírus entre nas aldeias é o objetivo dos  órgãos que mantém atuação muito forte  com o trabalho que envolve as lideranças indígenas e os conselheiros de saúde. A ideia está no convencimento da população que evite deixar as aldeias, evite seguir até as cidades e se expor aos riscos. “Estamos vendo os casos aumentarem nos centros urbanos como Parintins, Barreirinha, Nhamundá, Boa Vista dos Ramos e Maués. Então, estamos tomando várias medidas, principalmente, em Maués e Barreirinha, onde a população é maior”, assegura.

José Augusto Nenga coordenador do DSEI/Parintins. Foto: Reprodução

 

Cestas básicas

A falta de dinheiro e alimentos tem sido responsável em forçar os índios a deixarem suas comunidades. O Capitão Geral da tribo Sateré-Mawé, Aldamir Sateré, informa que essas questões têm criado inúmeras dificuldades a esses povos tradicionais. “A escassez de pescado e da caça é muito grande. Tivemos também o aumento da população e o nosso povo depende, hoje, de algum alimento comprado na cidade. Com o isolamento das aldeias  ficamos dependentes da lentidão das instituições governamentais  e as suas limitações”, ressalta o líder indígena.

A FUNAI pretende atender todas as comunidades indígenas da região com cestas básicas e vai corroborar com a manutenção dos povos indígenas dentro de suas comunidades.  “Estamos trabalhando com a FUNAI para que as cestas básicas cheguem logo para atenderem todas as aldeias, todas as famílias de forma a manterem eles a mais tempo dentro de área”, informa Augusto.

O coordenador da Funai, Sérgio Butel, assegura que a previsão de entrega das cestas é esta semana, iniciando pelas comunidades do Andirá, Uaicurapá e Marau. “Alguns municípios também estão preocupados com isso. O município de Barreirinha, por exemplo, o prefeito Glênio Seixas sinalizou a doação de 5 mil cestas básicas pra os Sateré da região do Andirá, isso é altamente positivo”, concluiu.

Aldamir Sateré liderança indígena Sateré-Mawé

 

 Carta ao MPF

Com o isolamento das aldeias do povo Sateré-Mawé, localizada na terra Indígena Adirá/Marau, o líder Aldamir Sateré enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma carta, solicitando providências e assistência ao povo Sateré-Mawé em caráter de urgência. No documento ele diz: “Venho manifestar minha preocupação e solicitar providências em caráter de urgência para que a população indígena Sateré-Mawé possa obter o apoio emergencial necessário, que venha suprir as necessidades básicas, como: carência de alimentação e de outros itens considerados preciosos para o enfrentamento da pandemia”.

Ao comentar sobre o documento com a Central de Noticias da Amazônia (CNA7), o indígena reafirmou o pedido de apoio ao seu povo. “Nós estamos apelando, mandando documento para as autoridades competentes no sentido de que eles possam olhar e dar  atenção para a população Sateré-Mawé, que no momento está precisando de apoio, está precisando de assistência, a partir da alimentação e também outros tipos de assistência básica necessária para suprir a demanda nas suas comunidades. É uma forma também de ajudar os indígenas que estão aqui na cidade, essas pessoas também estão enfrentando muita dificuldade. Muitas delas não conseguiram ser contempladas  com auxilio emergencial. Acredito que as autoridades serão sensíveis”, concluiu.

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