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EXONERAÇÃO

Nelson Teich se despede da Saúde sem explicar os motivos de sua decisão

Embora não tenha dito, Nelson Teich deixou o ministério onde permaneceu por 28 dias por divergências com o presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do Covid-19 que já matou mais de 14 mil brasileiros.

15/05/2020 16h44Atualizado há 2 semanas
Por: Eduardo Gomes
Nelson Teich não resistiu ao autoritarismo de Jair Bolsonaro e deixa o Ministério da Saude. (Foto: Júlio Nascimento/PR)
Nelson Teich não resistiu ao autoritarismo de Jair Bolsonaro e deixa o Ministério da Saude. (Foto: Júlio Nascimento/PR)

Em um pronunciamento de pouco mais de sete minutos, o agora ex-ministro da Saúde, Nelson Teich se despediu do cargo na tarde desta sexta-feira após anunciar sua exoneração após encontro com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. No curto pronunciamento em tom enérgico, Teich limitou-se apenas a agradecer a equipe técnica que o assessorou nestes 28 dias que ocupou a pasta no momento em que o Brasil passa por uma pandemia causada pelo Covid-19 que já matou mais de 14 mil brasileiros e infectou mais de 200 mil brasileiros. Não explicou os motivos que o levaram a pedir exoneração após a audiência com o Presidente no momento em que o Brasil passa pela pior crise sanitária de sua história. Sua decisão surpreendeu ministros, políticos e lideranças de diversos segmentos.

 

"A vida é feita de escolhas”, E hoje eu escolhi sair", declarou o ex-ministro ao iniciar seu pronunciamento. Ele agradeceu ao presidente por o ter convidado para dirigir o Ministério da Saúde em substituição a Henrique Mandetta. 

"Eu agradeço ao presidente a oportunidade que me deu de fazer parte do Ministério da Saúde. Isso era uma coisa muito importante para mim. Seria muito ruim não poder atuar no ministério pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Eu nasci graças ao serviço público, minhas escolas foram públicas, minha faculdade foi pública, residências públicas", declarou. Ele firmou que deixa pronto para ser executado um Plano de Ações de combate ao Covid-19.

Jornalistas convocados para o pronunciamento no auditório do Ministério da Saúde insistiram em perguntar ao ex-ministros as causas que o levaram a sair do Ministério. Nelson Teich não respondeu.

O uso da cloroquina foi a gota d’água para a saída do ex-ministro. Ele entrou em discordância com o presidente Jair Bolsonaro ferrenho do uso do medicamento no tratamento do Covid-19 desde os sintomas leves. A cloroquina foi apenas recomendada pelo Ministério da Saúde ainda na gestão do seu antecessor, Henrique Mandetta somente em pacientes em estado grave cujo protocolo prevê que o paciente assine documento autorizando o uso do medicamento. Bolsonaro chegou a exigir ainda do ex-ministro Mandetta que assinasse o protocolo para a utilização do medicamento em todos os estágios da doença. O presidente queria que nas embalagens da cloroquina fosse assinalado como medicamento para o tratamento do Covid-19. 

Médico por formação, Nelson Teich tinha restrições ao uso do medicamento. Estudos de vários centros médicos, indicam que a cloroquina inicialmente prescrita para o tratamento da malária, causa vários efeitos colaterais, como arritmia cardíaca, bem como complicações renais, hepáticas e oftalmológicas, necessitando de acompanhamento médico.

Na quinta-feira, Teich pediu aos técnicos do Ministério que lhe apresentassem algum estudo técnico apontando resultados benéficos da cloroquina. 

Além do embate sobre a cloroquina, Nelson Teich entrou em rota de colisão com o Presidente por defender o isolamento social, foi surpreendido pelo decreto assinado na madrugada de segunda-feira incluindo salões de cabelereiro, barbearias e academias de ginásticas como atividades essenciais sem consultar o Ministério.

FRITURA e MILITARIZAÇÃO

Nelson Teich já vinha sofrendo processo de fritura, isolamento e humilhação pública por parte de Jair Bolsonaro por tentar prosseguir com a política adotada pelo seu antecessor, Henrique Mandetta cujas ações de combate ao Covid-19 tem por base a ciência e orientações da Organização Mundial da Saúde, contrariando o Presidente que defende isolamento. 

Nos 28 dias em que esteve à frente do Ministério da Saúde, Nelson Teich não conseguiu formar sua equipe. O ex-ministro teve que conviver com a interferência direta do presidente que nomeou como secretário executivo, o general Eduardo Pazuello. O general já nomeou 12 militares no ministério substituindo técnicos de carreira e há indícios que outros dez militares estão aguardando nomeação. Há ainda o fato de o presidente Jair Bolsonaro estar negociando com políticos do Centrão, cargos no Ministério principalmente nas áreas de logística e compra.  

O ex-Ministro enfrentou nos últimos dias ataques das milícias digitais bolsonaristas, sob o comando direto de um dos filhos do Presidente por conta de seu posicionamento contrário a Jair Bolsonaro em relação aos procedimentos de combate ao Covid-19.

Nelson Teich é o sétimo ministro a deixar o governo Bolsonaro em um ano e cinco meses de mandato. Já saíram por divergências com o Presidente, Sérgio Moro (Justiça), Henrique Mandetta (Saúde), Osmar terra (Cidadania), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Floriano Peixoto (Secretaria-Geral da Presidência), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria do Governo), Ricardo Vélez (Educação) e Gustavo Bebiano (Secretaria de Governo) falecido no início deste ano.

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