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Farsa do voto impresso, uma premissa para o golpe

Nesta quinta-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados vota o parecer da PEC do Voto Impresso, segundo ato de Jair Bolsonaro para justificar no dia 3 de outubro suposta fraude e melar o processo eleitoral

04/08/2021 às 20h11
Por: Eduardo Gomes
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Farsa do voto impresso, uma premissa para o golpe

Nesta quinta-feira, 5 de agosto, a Comissão Especial vota a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) instituindo o voto impresso. A PEC de autoria da deputada bolsonarista Beatriz Kicis, a Bia Kicis (PSL-DF) atende a exigência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que desde sua eleição para a Presidência, quando encetou campanha de desqualificação do voto eletrônico no Brasil há 25 anos.

Dos oito mandatos parlamentares exercido por Bolsonaro, uma de vereador e sete de deputado federal pelo Rio de Janeiro, em seis foi eleito pelo voto eletrônico. Não há ao longo de suas eleições o Presidente nunca questionou a legitimidade da urna eletrônica, acabando com o voto manual e apuração recheadas de irregularidades e fraudes, conforme registra a história das eleições no Brasil.

Nos últimos meses, além de acusar de supostas fraudes sem apresentar provas, Jair Bolsonaro partiu para os ataques às instituições, sendo seu alvo preferencial o Poder Judiciário. Foi mais além. Não satisfeito em desqualificar o sistema eleitoral, passou para ofensas a ministros, como assistimos diariamente. O comportamento de Bolsonaro não há precedente nos 36 anos do regime democrático brasileiro.

O presidente vem ao longo desse tempo manipulando seus seguidores, incluindo militares com a falácia de fraudes, apresentando velhos vídeos fora de contexto, alguns com charlatões.

O quê de fato está atrás das intenções do Presidente que em seus arreganhos autoritários, por meio do voto impresso?

Caso a PEC do voto impresso seja aprovada pela Comissão Especial e aprovado pelo Congresso, Bolsonaro pavimenta sua ambição de Poder. Apesar do substitutivo do deputado também bolsonarista Felipe Barros (PSL-DF), estabelecer que o eleitor não terá contato manual com a comprovação de seu voto, nada impede que a farsa da fraude tenha continuidade. 

No roteiro traçado por Bolsonaro, principalmente se chegar no dia das eleições os institutos de pesquisas apontaram sua desvantagem, esse eleitor ainda na seção eleitoral poderá contestar o resultado de sua votação. Ele deverá dizer que votou em Bolsonaro e a urna computou voto para o candidato Lula. A partir daí já denuncia a suposta fraude ali mesmo na seção, atraindo a atenção da imprensa. Pode inclusive com o conluio de mesários mal-intencionado, fazer uma cópia com telefone celular da cédula para dar “veracidade” em sua denúncia. Essa situação pode se repetir com dezenas, centenas e milhares de eleitores pró-Bolsonaro em todo País, conforme previsão do radialista Ronaldo Tiradentes na última terça-feira.

Aí o presidente entra em cena para denunciar a “fraude”, inflamando, manipulando através das redes sociais seus fanáticos seguidores e utilizando robôs para espalhar milhares de fake News criando um “descontentamento”, resultando em manifestações violentas, com invasão de prédios públicos, destruição de patrimônio público e privado, incêndios a veículos, agressões, enfim o ápice da “convulsão” social.

É nesse contexto que ele pode convocar as Forças Armadas para “restituir” a normalidade colocando tanques e soldados nas ruas e intervir no Judiciário – não custa lembrar que um dos seus filhos disse em 2019 que para intervir no STF bastava um cabo e um soldado - e até mesmo com o fechamento do Congresso e prisão de adversários políticos. Vale ressaltar que um dos movimentos do Presidente foi dado em março, quando trocou o ministro da Defesa e comandantes militares, mais alinhados politicamente.

Aí estarão postas as condições diante do falso pretexto que as eleições foram fraudadas, com edição de decretos de exceção, suprindo as garantias constitucionais, cuja Constituição jurou cumprir e respeita para finalmente consolidar o autogolpe, garantindo sua manutenção do poder pela força.

Não custa lembrar que na biografia de Jair Bolsonaro, está registrada diversas passagens em que ele defendeu a volta da ditadura militar e fechamento do Congresso, mesmo sendo um dos seus membros. Basta consultar sua biografia no acervo da Fundação Getúlio Vargas.  

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