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Obras de Yanomami são exibidas em Xangai, na China

Mostra “Árvores”, exposta pela primeira vez em Paris, apresenta mais de 200 obras de quase 30 artistas internacionais, dentre eles Kalepi Sanöma, Joseca e Ehuana Yaira Yanomami

20/07/2021 14h22
Por: Redação Fonte: D24am
Divulgação
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As obras dos artistas Joseca Yanomami, Ehuana Yaira Yanomami e Kalepi Amarildo Isaac Sanöma, estão sendo apreciadas a milhares de quilômetros de distância da Terra Yanomami, em Xangai, na China. A cidade foi escolhida para sediar a continuidade da mostra “Árvores”, exposta pela primeira vez em 2019, em Paris. A visitação da etapa chinesa começou em 9 de julho e segue até 10 de outubro de 2021.

A exposição, promovida pela Fundação Cartier para Arte Contemporânea e realizada pelo museu chinês Central de Arte, apresenta mais de 200 obras de quase 30 artistas da China e de países latino-americanos, europeus e asiáticos. O evento celebra as árvores como fonte de inspiração para a sociedade humana. Pinturas, fotografias, vídeos, desenhos e instalações reúnem os testemunhos, tanto artísticos como científicos, daqueles capazes de olhar o mundo vegetal em suas diferentes manifestações.

“Quando eu aprendi a desenhar eu ouvia os pajés cantando e eu gravava na minha cabeça para desenhar depois. Eu desenho os espíritos. E quando eu sonho, eu estudo muito, penso muito e faço muitos desenhos do meu sonho. Eu sonho com vários animais, espíritos, doenças, inimigos, sonho de chuvas, araras, caçador”, relata Joseca.

O artista, nascido na década de 1970 na região do Demini, Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados do Amazonas e Roraima, se tornou o primeiro estudioso de línguas e professor da comunidade Watorikɨ, no início dos anos 1990. No começo dos anos 2000, Joseca foi o primeiro Yanomami a trabalhar na área da saúde. Nessa época, ele também começou a esculpir animais notáveis em madeira e a desenhar.

Essa não é a primeira vez que seus trabalhos participam de uma importante exposição. As obras estrearam na França, na Fundação Cartier para Arte Contemporânea na exposição Yanomami intitulada “Espírito da Floresta, Histórias para ver: mostrar e contar”, em 2012, e em 2019, quando a exposição “Árvores” foi inaugurada em Paris. Na ocasião, Joseca viajou com o líder e xamã Yanomami Davi Kopenawa e seu filho, Dário Kopenawa para a abertura.

Desde 2014, o artista também ilustra vários livros sobre as tradições de seu povo publicados pela Hutukara Associação Yanomami. Em 2020, uma intervenção artística no Congresso Nacional com desenhos de Joseca, marcou o encerramento da campanha #ForaGarimpoForaCovid, com a entrega de uma petição de mais de 400 mil assinaturas a deputados federais e outras autoridades. Os desenhos ilustram meticulosamente entidades, lugares e eventos evocados pelos mitos e cantos xamânicos que ele ouviu desde a infância, mas também por cenas da vida cotidiana na floresta.

As obras de Joseca, Ehuana e Kalepi foram levadas para a exposição pelo antropólogo francês Bruce Albert, que atua em defesa do povo Yanomami desde 1975. Bruce Albert foi co-curador de duas exposições para a Fundação Cartier para Arte Contemporânea: a “Espírito da Floresta”, em 2003 e “Árvores”, em 2019. “A arte contemporânea dos Yanomami mostra ao mundo a beleza da reflexão metafísica e do conhecimento da floresta deste povo singular. Trata-se, portanto, de uma ferramenta potente na defesa dos seus direitos territoriais e culturais reconhecidos pela Constituição brasileira e, infelizmente, gravemente desrespeitados pelo atual presidente do Brasil, inepto e feroz inimigo dos povos indígenas”, diz o antropólogo.

Yanomami

A maior terra indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares e uma população de 27 mil habitantes, está invadida por cerca de 20 mil garimpeiros em busca da extração do ouro ilegal.

Desde o dia 10 de maio os conflitos se intensificaram na região do Palimiú, situada no rio Uraricoera, com tiros de armas pesadas e bombas. O ataque resultou em um indígena ferido com uma bala de raspão na cabeça e duas crianças que morreram afogadas ao tentarem se refugiar na floresta com medo dos conflitos.

Em 2020, em meio à pandemia, o garimpo ilegal avançou 30% na Terra Yanomami, segundo relatório da Hutukara. Somente no rio Uraricoera, concentra-se 52% da área devastada. Nos primeiros meses deste ano já foram contabilizados o desmatamento de cerca de 200 campos de futebol.

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