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Artista indígena expõe obra no Museu de Arte do Rio

Na exposição, Emerson destaca elementos da História do Brasil que possuem ideias carregadas de colonialismo e apagamentos culturais

10/06/2021 11h33 Atualizada há 3 dias
Por: Redação Fonte: Em Tempo
Divulgação
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A artista indígena Emerson Pontes, 30, criadora da 'entidade híbrida' “Uyra Sodoma”, participará, com suas fotografias de performance, de exposição do Museu de Arte do Rio. A exposição, chamada "Imagens que não se Conformam", propõe diálogos da contemporaneidade com a história do Brasil, e busca dar voz a artistas negros, indígenas e de gêneros dissidentes.

A exposição faz a contraposição do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) com obras de artistas contemporâneos para gerar reflexão sobre outras vozes da história brasileira.

Criada pela artista, a 'entidade híbrida' (termo utilizado por Pontes) Uyra Sodoma utiliza o corpo como "suporte e trânsito coletivo, ao unir elementos orgânicos em suas montagens", expressando através da performance a interligação entre sabedorias ancestrais e conhecimentos ecológicos e científicos. Emerson já apresentou Uyra em diversos contextos de arte e moda, como na revista Vogue Brasil, no Salão Arte Pará e na VII Edição do Prêmio EDP nas Artes do Instituto Tomie Ohtake.

Em relação à proposta da exposição, Emerson expressou que ideias ele busca suscitar no público ao expor o trabalho.

"Participo da exposição com fotos do ensaio Terra Pelada (2019), feitas com Matheus Belém em área na época recém desmatada próxima a Manaus. São fotos doloridas sobre o processo do desmatamento, tão cotidiano na Amazônia. Enquanto o olhar moderno ocidental sobre as plantas as considera criaturas inertes, meu trabalho busca mostrar a árvore como seres que se mexem, como qualquer bicho. Por isso, Uyra, a 'árvore que anda'. E é isso que a exposição busca: o encontro de imagens do passado e da arte contemporânea", afirma a artista.

Sobre os temas da exposição, Emerson destaca elementos da História do Brasil que possuem ideias carregadas de colonialismo e apagamentos culturais. Sua obra na exposição busca renovar os significados das peças da coleção do IHGB para repensar a história do Brasil.

 A inspiração de Pontes se origina do contato entre a experiência urbana do indígena contemporâneo e o cultivo da ancestralidade. Para isso, Emerson trabalha em parceria com fotógrafos que acreditam nos temas de seu trabalho e engajam-se na luta antirracista.

"Sou indígena mesmo habitando a cidade e a contemporaneidade. É da periferia que eu falo e é na rua que circulo, sendo eu, sem perder o que me habita: ancestralidade. Meu principal livro de arte é a floresta, as criaturas vivas - o que nos inclui. Gosto de contar o invisível, para denunciar violências enquanto também busco iluminar a potência de corpos ancestrais como o meu"Emerson Pontes, Artista indígena

Na obra de Emerson como Uyra, a arte pode enfrentar várias certezas históricas firmadas pelo colonialismo e pela opressão do passado e do presente.

"O contraponto de vários pontos de visão para a mesma coisa, a partir de cada tempo, e evidenciando as urgências do agora pode destacar questões importantes para a reflexão e ação dos sujeitos", acrescentou a artista.

Para a artista, essas possibilidades de comunicação não são novas para quem desenvolve arte indígena, e são transmitidas pelo trabalho com a ancestralidade.

"A Arte, antes mesmo desse entendimento global e moderno, já era elemento de comunicação e funcionalidade do cotidiano indígena. Artesanatos, teçumes, peças ritualísticas e demais obras do cotidiano dos povos vêm andando em paralelo à produção de artistas indígenas contemporâneos, como eu, Jaider Esbell, Denilson Baniwa, Daiara Tukano, Naine Terena, Auá Mendes e muitos outros, que utilizam a arte como ferramenta de ativismo indígena e ambiental", declara.

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