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Política PODER PARALELO

Um Amazonas de joelhos diante do crime

Décadas de omissão, relações promíscuas e corrupção proporcionaram terreno fértil para o Estado paralelo

09/06/2021 19h29
Por: Eduardo Gomes

PODER PARALELO

Um Amazonas de joelhos diante do crime

Décadas de omissão, relações promíscuas e corrupção proporcionaram terreno fértil para o Estado paralelo

A sucessão de ataques criminosos deflagrada em Manaus e em seis municípios do interior a partir da madrugada de domingo expõe mais uma vez a falência da segurança pública no Estado. Não é de hoje que o tráfico de drogas se tornou um “Estado” paralelo.

Este mesmo “Estado” impõe suas regras e códigos, como a que assistimos nesta segunda-feira. Manaus foi submetida a um toque de recolher. O Estado legalmente constituído demonstrou a sua impotência. Acuado, os três poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo suspenderam as atividades. Comércios amanheceram abertos ou semiabertos.

Além dos fatores sociais já conhecidos como causas do avanço da criminalidade, há um fator que sempre é jogado para debaixo do tapete. É a tolerância tácita, a omissão e a corrupção de agentes públicos na repressão ao tráfico de drogas responsáveis pela ascendência da criminalidade do tráfico de drogas.

Beira ao cinismo as manifestações das autoridades ao tratar do assunto. Os agentes de segurança de maior ou menor grau de qualquer cidade brasileira, sabem onde funcionam os pontos de venda de droga, quem são os responsáveis. E em Manaus e nos 61 municípios do interior não é diferente.

A prova disto está registrada na imprensa de Manaus. Na década de 90, o jornalista Júlio César Guimarães, então editor da área de Polícia do jornal Amazonas em Tempo, publicou uma reportagem enumerando todos os pontos de venda de droga na cidade de Manaus, inclusive com mapa ilustrativo, faltando somente o CEP. A reação das autoridades da área de Segurança à época foi de total indiferença. Nenhuma medida foi tomada.

A criminalidade se transformou como poder paralelo como estamos assistindo é Manaus se deve e muito, aos maus agentes do Estado com distintivo e farda como aliados ao crime. É comum se ouvir nas cidades relatos de agentes policiais frequentando pontos de venda de droga para receber dinheiro em troca de “proteção”, a prática de extorsão. Na maioria das vezes usam veículos oficiais do Estado. Foram aliados do crescimento e consolidação do chamado crime organizado, hoje representadas por grupos criminosos.

Hoje, as chamadas facções criminosas detêm escancaradamente o domínio territorial das cidades. Ditam normas e regras para suas populações. As autoridades policiais sabem disso. Fazem vista grossa.

Não se pode perder de vista que o tráfico de drogas detém um forte poder econômico, alimentando uma cadeia de corrupção desde a ponta, um agente público do mais baixo ao alto escalão encastelados em seus gabinetes climatizados. Dados de 2014 apontam que em Manaus, o tráfico de drogas movimenta por ano U$ 1,5 bilhão de dólares, pouco mais de R$ 8 bilhões de reais. Além do poder de corrupção do tráfico está presente em outras esferas dos poderes legalmente constituído.

Não se deve creditar somente ao Poder Executivo a responsabilidade do crescimento exponencial da criminalidade. Os outros dois poderes, Judiciário e Legislativo também tem sua parcela de responsabilidade pelo caos criado em Manaus e no País com o avanço da criminalidade.

A atual onda de ataques criminosos ocorridos em Manaus mostrou mais uma vez a faceta de um Estado acuado, medroso, refém do monstro que ajudou a criar por décadas. Não foi a primeira e nem será a última.

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