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Política ESTRATÉGIA

O jogo de cooptação de Bolsonaro

Ao colocar o general de divisão três estrelas e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na secretaria de Assuntos estratégicos da Presidência da República, o Presidente dá mais um passo de cooptação de militares para seu plano de Poder

01/06/2021 às 21h25
Por: Eduardo Gomes
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O jogo de cooptação de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro movimentou mais uma pedra em seu tabuleiro de xadrez em sua ambição de poder ao nomear o ex-ministro da Saúde, general-intendente Eduardo Pazuello na Secretária de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Além de trazê-lo para debaixo de sua asa –, a SAE é vinculada ao seu gabinete –, Bolsonaro reafirma seu gesto de impedir que o general da ativa seja punido por transgredir normas militares ao comparecer a manifestação política há duas semanas há duas semanas, provocando mal-estar na cúpula militar.

Desde quando assumiu a presidência da República, Jair Bolsonaro tem realizado uma série de movimentos no sentido de buscar uma certa perpetuação no poder que lhe foi conferido nas urnas.

E um dos pilares de sua estratégia, é justamente a cooptação dos militares para o campo político. Primeiro, a escancarada militarização em seu governo. Hoje são mais de seis mil militares ocupando cargos civis nas estruturas dos Ministérios e Estatais. É um número bastante significativo se compararmos o número de militares em cargos civis nos governos ditatoriais. Segundo, ao estabelecer privilégios salariais, nos quais os militares podem acumular salários furando o teto atualmente em R$ 39.293,32 para R$ 78.586,64. Ou seja, os militares – ativos e inativos – nomeados em cargos no governo, passaram a receber integralmente seus proventos de aposentadoria.

Aos poucos, o Presidente vai moldando seu projeto de poder. Ao exonerar a cúpula militar, ministro da Defesa, Fernando Azevedo e os comandantes das três forças, Exército, Marinha e Aeronáutica, Bolsonaro externou seu aborrecimento pela falta de apoio político da então cúpula militar.

Os movimentos de Bolsonaro com acenos e mimos aos militares se assemelham ao chavismo da Venezuela criado por Hugo Chaves um ex-tenente-coronel, com pinceladas de um “socialismo” versão século XXI. Hugo Chaves loteou entre os militares inúmeros cargos na estrutura de governo da Venezuela, obtendo em troca a fidelidade dos coturnos. E assim governou por 14 anos até morrer, com o seu sucessor mantendo o status quo até os dias de hoje.

Em outra frente, o Presidente tenta obter via Congresso Nacional, ascendência sobre as forças auxiliares, as polícias militares e bombeiros militares. Para tanto dois projetos de lei orgânica para as polícias civil e militar, prestes a serem votadas pelo Congresso. Na prática os projetos restringem o poder dos governadores sobre as polícias – militar e civil – em seus Estados. É a bolsonarização das polícias com ampla penetração do Presidente, transformando-as em braços paramilitares.

Os movimentos de Bolsonaro não estão circunscritos aos militares. Ele tem atacado de forma direta e indireta, o Judiciário e o Legislativo, outra semelhança com o chavismo. Estimula sua milícia digital aos ataques a outros dois poderes, ele próprio participando de manifestações antidemocráticas.

Com estes movimentos, Bolsonaro vem pavimentando seu devaneio autoritário para desaguar nas eleições do próximo ano. Desde quando foi eleito, defende a tese conspiratória de fraude eleitoral em 2018 do qual foi vencedor, sem apresentar provas. Já deu mostras através de falas que não vai aceitar os resultados das urnas, caso lhe sejam desfavoráveis. É o caldo de autoritarismo que aos poucos vai elaborando. Resta saber se seu projeto vingará de fato.

É hoje O STJ (Superior Tribunal de Justiça) julga nesta quarta-feira (02/06) denúncia contra o governador Wilson Lima (PSC), acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de praticar fraudes na compra de respiradores. Os ministros decidem se acatam a denúncia da PGR. Caso seja aceita, Wilson juntamente com outros acusados passa à condição de réu. Se o STJ seguir o mesmo rito adotado contra o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, além de acatar a denúncia pode decretar o afastamento do cargo.

Confirmado A médica Nize Yamaguchi tentou o quanto pode negar a existência de uma minuta de decreto para alterar a bula da Hidroxicloroquina. Não resistiu. Não só confirmou como também admitiu que o tenente-médico da Marinha, Luciano Dias Azevedo, foi o autor da proposta.

Sem provas Bolsonarista e assídua frequentadora do Palácio do Planalto, a médica não apresentou uma prova concreta sobre a eficácia da hidroxicloquina para tratamento de pacientes da Covid. O único estudo que ele citou, feito pela Fundação Ford, foi deixado de lado por falta de comprovação.

Proibição — O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, proibiu a circulação de carro de som com propaganda contra o PT (Partido dos Trabalhadores). A decisão é do juiz eleitoral Thiago Soares Castelliano Lucena de Castro alega que o ato era "fato ofensivo à reputação da agremiação política, com finalidade de propaganda eleitoral”. É a prévia de como será a campanha eleitoral do próximo ano.

Explicações — O presidente da CPI da Covid do Senado, senador Omar Aziz tem o prazo de cinco dias para informar a convocação dos governadores. Em ofício enviado ao Presidente da CPI os governadores não se opõem em prestar depoimento à Comissão, mas desde que sejam na condição de “convidados” e não “convocados”.

Guilhotina — A Comissão de Ética da Câmara dos Deputados vota na próxima semana o relatório do processo que pede a cassação do mandato da deputada federal Flordeliz, ré na justiça sob acusação de ser a mandante do assassinado do ex-filho adotivo quando adolescente e depois marido, Anderson do Carmo em junho de 2019.

Manobra — O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles alvo de investigações pelo Supremo Tribunal Federal não quer depor na Polícia Federal. Ele quer ser interrogado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Então tá.

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