ALTO SOLIMÕES

Apesar das orientações, indígenas de Amaturá ignoram isolamento social

Indígenas descumprem orientações para se manterem em suas aldeias formando aglomerações na sede para receber benefícios sociais

25/03/2020 04h58
Por: Eduardo Gomes
Indígenas aglomerados na casa lotérica, descumprindo medidas de segurança contra o Coronavírus. (Foto: Christian Nogueira/PMA)
Indígenas aglomerados na casa lotérica, descumprindo medidas de segurança contra o Coronavírus. (Foto: Christian Nogueira/PMA)

Com uma parcela estimada em 40% dos 12 mil habitantes do município de Amaturá, localizado na calha do Alto Solimões, a comunidade indígena é o principal foco de apreensão da Prefeitura Municipal e da área de saúde, neste período de pandemia do Covid-19. Dezenas de indígenas vindos de suas comunidades circulam pela sede do município, deixando de cumprir o isolamento social proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Na última quarta-feira, a única loja lotérica e o posto bancário da cidade estavam lotados de indígenas para receber seus benefícios sociais.

Com características étnicas e culturais diferentes se comparada com o “homem branco”, os indígenas mesmo com acesso a educação formal e outras comodidades, se constituem em um permanente desafio, quando se trata de saúde.

Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Solimões assiste a uma população de 70 mil indígenas distribuídos em 237 aldeias.

“O que mais nos preocupa aqui é a baixa imunidade dos Tikunas. Eles não param, não acreditam e teimam em viajar”, afirmou o prefeito Joaquim Corado através de um áudio. A população Tikuna é a principal etnia no Alto Solimões presentes em oito dos nove municípios da mesorregião.

Ele afirma que a Prefeitura realizou reuniões nas comunidades indígenas com caciques e principais lideranças sobre a necessidade de os indígenas a cumprirem as orientações para o isolamento social.

Segundo Joaquim Corado, a circulação de indígenas é constante na região. “Eles saem daqui para a Colômbia, para o Peru, para os outros municípios, para festas e lá eles se encontram com outros índios de todo o Alto Solimões da seita da Santa Cruz. Nestas festas há uma aglomeração muito grande e as canoas vão cheias. Aqui na cidade, na nossa sede, a presença deles é constante, não atendem as nossas orientações e isso nos preocupa muito”.

Segundo o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Solimões, Weidson Gossel, todos os profissionais que atuam na Saúde Indígena foram qualificados com as informações do Ministério da Saúde sobre o enfrentamento do Covid-19, visitas em todas as residências e divulgação nos serviços de alto falantes na língua.

“Nós produzimos material de prevenção na língua tikuna e enviamos a eles informando quais são os processos de prevenção, métodos de higiene, e que também não podem sair da aldeia. Tem que ficar na aldeia, proteger sua aldeia, não deixar estrangeiro entrar e pessoas que não são da aldeia e evitar aglomerações, festas de igrejas, festas de comunidades, campeonato de futebol. Isso estamos fazendo desde o início”, declarou Gossel, reconhecendo, porém, ser difícil manter os indígenas em suas aldeias.

BARREIRAS

Gossel informou que em Tabatinga, o Dsei restringiu com apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal, o acesso às comunidades de Umariaçú I e II. Citou que o acesso dos indígenas de outras comunidades na área urbana de Tabatinga onde no porto foi instalada outra barreira sanitária também está restrito. Somente um indígena por canoa tem permissão para desembarcar caso tenha se deslocado para receber os benefícios sociais. Normalmente em seus deslocamentos, os indígenas levam toda a família.

Em relação a Amaturá, ele disse que foi procurado pelo prefeito Joaquim Corado e o orientou a adotar o mesmo procedimento, a de restringir o desembarque de indígenas no porto da cidade, a exemplo do vizinho município de Santo Antônio do Içá, onde já há um caso confirmado.

Na avaliação do prefeito Joaquim Corado, os moradores da área urbana de Amaturá de uma forma em geral vem cumprindo as orientações para se manterem em isolamento social. Mesmo assim uma pequena parcela insiste em circular na cidade se concentrando na orla, onde está localizado o porto de atracação.

O município conta com um hospital com pouco mais de 20 leitos, sem unidade de tratamento intensivo, outro fator de preocupação do prefeito.

“Nós municípios somos que enfrentamos as dificuldades, enfrentamos a epidemia. Nós precisamos de materiais, precisamos de equipamentos. O hospital depende do apoio do Governo do Estado e do Governo Federal”, finalizou.

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