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Política EMBATE

Salvo conduto meia boca de Lewandowski será o grande teste da CPI com Pazuello

Ministro do STF atende em parte o pedido de habeas corpus para o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello mantendo sua presença na audiência para responder as ações da pasta durante sua triste e trágica gestão no ministério

14/05/2021 21h22
Por: Eduardo Gomes
Salvo conduto meia boca de Lewandowski será o grande teste da CPI com Pazuello

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, acendeu duas velas, uma para Deus e outra para o Diabo, ao conceder com algumas restrições, uma espécie de salvo conduto meia boca mantendo a audiência do general intendente e ex-ministro da Justiça, Eduardo Pazuello na CPI da Covid do Senado para apurar ações e omissões no enfrentamento da pandemia do coronavírus.

A decisão de Lewandowski, certamente desagradou as duas partes, a CPI e o Governo Bolsonaro. Ao convocar o ex-ministro na condição de testemunha, a CPI da Covid queria justamente evitar que Pazuello fosse buscar no STF, o direito de permanecer em silêncio. Com a decisão do ministro, os senadores devem inquiri-lo sobre suas ações, desde que não produza provas contra si.

Já o Governo Bolsonaro, através da Advocacia-Geral da União, pretendia obter do Supremo, o silêncio total ou até mesmo a suspenção de sua presença na Comissão na próxima quarta-feira (19), segunda data marcada. Bolsonaro e os mais próximos de sua seita, pretendiam barrar a ida do general à CPI. Era essa a estratégia.

Pazuello deveria ser o segundo a depor, no dia 5 de maio. Pediu adiamento alegando que estaria de quarentena por ter tido contato com dois oficiais positivados de Covid-19, que efetivamente não cumpriu. Recebeu a visita do ministro da secretaria de Governo Onix Lorenzoni e no último domingo foi ao Palácio do Alvorada para o café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro.

Convém lembrar que o fator determinante para a criação da CPI proposta pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi justamente a gestão de Pazuello no Ministério da Saúde, com a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus a partir de 14 de janeiro, matando dezenas de pacientes de Covid por falta de oxigênio. O caos e a tragédia de Manaus ganharam proporções internacionais. Pazuello e o governador do Amazonas, Wilson Lima foram avisados do colapso pelos fabricantes ainda e dezembro. Ficou evidenciada a assassina omissão do general de três estrelas e o Governador.

Ao invés de buscar alternativas para abastecer oxigênio medicinal, o general veio a Manaus em janeiro, dias antes do colapso, empurrar de goela abaixo, o tratamento precoce com medicamentes sem eficácia no tratamento da Covid, como a hidroxicloroquina e invermectina.

Ao ser chamado a depor como testemunha, Eduardo Pazuello terá que explicar aos membros da CPI e a nação, os seus 304 dias à frente do Ministério.

Pazuello deve à Nação muitas e consistentes respostas. Seu período no Ministério fez que o Brasil chegasse a triste marca de mais de 400 mil mortos, enquanto a ciência previa na pior das hipóteses 180 mil óbitos.

Ele tem que explicar sua determinação na prescrição da hidroxicloroquina adotada mesmo contrariando a ciência, informações desatualizadas sobre o vírus, ausência de campanhas preventivas, falta de transparência na divulgação e omissão de dados, a omissão de sua gestão na Saúde para aquisição de vacinas, a militarização do Ministério e o desmonte do PNI (Plano Nacional de Imunização), a falta de oxigênio, de leitos de UTI, medicamentos para intubação e a existência do Ministério das “Sombras”, um gabinete paralelo no Palácio do Planalto exercendo o papel de Ministério da Saúde.

Caberá aos senadores da CPI mostrar habilidades e perspicácia em extrair do vetusto, obeso e subserviente general as verdades que levaram o País ao maior atoleiro sanitário de sua história.

Está difícil A cada dia está mais difícil comentar algo de positivo do Governo Bolsonaro, principalmente na área da Saúde, Meio Ambiente e Economia. É uma sucessão de trapalhadas.

Displicência ― A ausência de recursos no Orçamento da União para o enfrentamento da Pandemia é preocupante. Em resposta a um requerimento da CPI da Covid, o Ministério da Economia justificou a ausência de recursos, devido a falta de previsão do recrudescimento da Pandemia. É mais uma irresponsabilidade do Governo. Desde outubro do ano passado que especialistas vinham alertando para a segunda onda, contrariando afirmações do ministro da Economia Paulo Guedes feitas ao Senado que a “pandemia estava indo embora”.

Ajudinha ― O ministro-secretário da Presidência, Onix Lorenzoni, aquele que chamou de covarde Nestor Cerveró por ter obtido na Justiça o direito de ficar calado na CPI da Petrobrás em 2016, ajudou a treinar Eduardo Pazuello para depor na CPI da Covid.

Cabaré inflamado ― Temperatura máxima no Democratas (DEM). O ex- presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia ao pedir a desfiliação do partido, chamou o presidente nacional, Antônio Carlos Magalhães Neto de “malandro baiano” na conta oficial do DEM no Instagran. A relação entre Maia e ACM Neto azedou por ocasião da eleição para a presidência na Câmara. ACM Neto orientou os parlamentares do partido a votarem em Arthur Lira (PP-AL), enquanto Maia trabalhou pela candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP).

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