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Política GOVERNO DAS TREVAS

Em meio a mentiras, uma verdade: governo desprezou vacina da Pfizer

Quinto depoente na CPI da Covid do Senado, o ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten cumpriu o script traçado do Planalto, poupando o presidente e o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, irritando senadores que o ameaçaram de prisão

12/05/2021 21h36
Por: Eduardo Gomes
Em meio a mentiras, uma verdade: governo desprezou vacina da Pfizer

Não foi surpresa a performance do advogado e publicitário Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do Governo Bolsonaro. Mentiu descaradamente, tergiversou diante da CPI da Covid, mesmo diante dos fatos por ele mesmo declarados na entrevista à Revista Veja.

Aliás, o depoimento de Wajngarten foi bem ao gosto do Governo Bolsonaro, quando relator da CPI senador Renan Calheiros (MDB/AL), e o vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP) entraram em rota de colisão com o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD/AM), ao exigirem a prisão imediata do ex-secretário. É tudo que o governo deseja na CPI: desmoralizar a Comissão criada para investigar a ações e omissões do Governo Bolsonaro no enfrentamento da pandemia.

E a omissão acabou materializada em um documento: a carta enviada pela farmacêutica Pfizer no dia 12 de setembro ao presidente Jair Bolsonaro assinalando que até aquela data não obteve respostas do Governo Brasileiro, após reuniões com representantes dos Ministérios da Economia, Saúde e com o embaixador do Brasil nos EUA. A farmacêutica oferecia 100 milhões naquela ocasião 100 milhões de doses. O próprio Wajngarten comunicou ao Presidente e ao ministro da Economia Paulo Guedes sobre a carta. Novamente o silêncio.

Somente depois de cinco meses e seis dias, o Governo Bolsonaro se rendeu, assinando contrato com a Pfizer.

Ficou evidenciando que o episódio com a farmacêutica norte-americana é mais uma prova contundente do desprezo do Governo Bolsonaro em proteger a população brasileira. O próprio Jair Bolsonaro que havia afirmado publicamente no ano passado que não iria comprar a vacina Coronavac produzida pelo Instituto Butantan em consórcio com a Sinovac da China, sem esquecer que ele desdenhou a própria Pfizer.

Não se deve creditar a responsabilidade pela omissão criminosa de proteger a população apenas ao Presidente da República. A carta em si é esclarecedora. Foi enviada cópias ao vice-presidente da República Hamilton Morão, ao “Posto Ipiranga” o ministro da Economia Paulo Guedes, ao então ministro da Casa Civil Walter Braga Netto, ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos Nestor Foster. O vice Hamilton Mourão negou horas depois que a carta veio à público tê-la recebido.

Todos são responsáveis pela indiferença que este governo perpetrou na pandemia.

Se juntaram ao presidente que desde o primeiro momento da pandemia no Brasil, desestimulou o uso de máscara, incentivou a aglomeração, incitou a população a desobedecerem ao cumprimento de medidas de distanciamento social e até mesmo a não se imunizarem.

Se o País tivesse um governo de fato preocupado no bem-estar do seu povo, seguindo todas as regras incluindo a vacinação se tivesse iniciado em dezembro, teríamos hoje algo em torno de perto de 200 mil mortes, segundo cálculos da ciência e não 425 mil brasileiros mortos, causando tragédias em milhares de famílias.

Países que começaram a imunizar seus cidadãos em dezembro de 2020, estão em recuperação econômica, inclusive aqueles que seus dirigentes foram negacionistas como Donaldo Trump nos EUA e o primeiro-ministro da Inglaterra Boris Johnson, ambos ideologicamente de extrema-direita e direita respectivamente.

Já o governo de Jair Bolsonaro, tem dado sobejas provas que quer governar na obscuridade. Apostou na imunidade de rebanho às custas de milhares de vidas perdidas. Seu projeto de poder encontrou na pandemia, as bases de sua ambição autoritária no caos social, econômico e sanitário.  

Fábio Wajngarten com a sua falta de verdade perante a CPI é apenas um microcosmo dessa engrenagem dantesca que assola o País.

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