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Política DEPOIMENTO

Barra Torres deixa governo constrangido

Em depoimento da CPI da Covid, diretor-presidente da Anvisa confirma a tentativa de mudança de bula da cloroquina por decreto e expõe divergências com o Presidente no enfrentamento da pandemia

11/05/2021 21h53 Atualizada há 1 mês
Por: Eduardo Gomes
Barra Torres deixa governo constrangido

O depoimento do diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o contra-almirante e médico Antônio Barra Torres na CPI da Covid no Senado nesta terça-feira, colocou o Governo Bolsonaro nas cordas. Confirmou a tentativa de alterar a bula da hidroxicloroquina por decreto incluindo seu uso para o tratamento da Covid-19, expôs sua opinião contrária ao do Presidente, em favor da ciência e da adoção de medidas de prevenção, distanciamento social, uso de máscaras e álcool.

Amigo e aliado de Jair Bolsonaro, Barra Torres em seu depoimento, reforçou a tese do negacionismo do Presidente no enfrentamento da pandemia. Expôs seus pontos de vista claro, a favor da ciência, das medidas de prevenção, sem arroubos conspiratórios.

No caso da tentativa de mudar a bula por decreto, uma ilegalidade que o Planalto tentou emplacar em março do ano passado, o Diretor-Presidente da Anvisa jogou holofotes da CPI na direção do então ministro da Casa Civil e atual ministro da Defesa Walter Souza Braga Netto e da conselheira informal do Presidente e defensora do uso da cloroquina, médica Nice Yamagushi.

O depoimento de Barra Torres contrariou a expectativa do Planalto. Esperava-se um depoimento evasivo, similar ao que foi prestado na semana passada pelo atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Irritou o presidente Bolsonaro. Tanto que se absteve de discursar em um evento à tarde, quando da assinatura de liberação de recursos na ordem de R$ 1 bilhão destinados a ações contra a Covid na atenção primária. Coube ao evasivo ministro da Saúde Queiroga discursar enaltecendo a liberdade dada pelo Presidente aos médicos.

Se por um lado, expôs sua opinião divergente do Chefe da Nação no enfretamento da pandemia, por outro lado Barra Torres fez uma defesa do Presidente por não interferir nas ações da Anvisa.

Silêncio O Palácio do Planalto está movendo o céu e a terra para impedir ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello preste depoimento na CPI da Covid do Senado. Primeiro foi o pedido de adiamento do depoimento marcado para a semana passada sob alegação que Pazuello precisava ficar em quarentena, tese que se desmoralizou dados os encontros que o ex-ministro teve. Agora aventa-se a hipótese de a AGU (Advocacia-Geral da União) ingresse com pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) para assegurar ao ex-ministro convocado como testemunha e não na condição de investigado, tenha o direito de ficar calado. Vale ressaltar que Pazuello em sua gestão no Ministério da Saúde foi marcada pela tragédia de Manaus, fator determinante para a criação da CPI. Em janeiro dezenas de pacientes morreram devido ao colapso no sistema de saúde agravado com a falta de oxigênio.  

Empatados O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguem polarizados no cenário eleitoral de 2022 evidenciando empate técnico. Na pesquisa divulgada pelo Instituto XP/Ipespe, os dois seguem na preferência do eleitorado, com empate técnico no 1º. e 2º. turno. No 1º. turno, ambos aparecem com 29% do eleitorado. Já no 2º. turno Lula aparece com 51% contra 49% computados a Bolsonaro.

Enfurecido Não obstante as dores de cabeça advindas da CPI do Covid, a reportagem do jornal O Estado de São denunciando a existência de um orçamento paralelo, para obter apoio do Centrão, denominado de “Bolsolão” ou “Tratoraço”, deixou o presidente Jair Bolsonaro colérico ontem. Chamou de canalhas os jornalistas autores da reportagem que desnudou o esquema.

Genocídio — A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia realiza audiência pública na sexta-feira (14) para debater a "Política Indígena e as consequências da Covid-19 aos povos indígenas".

O debate foi proposto pelos deputados federais José Ricardo (PT-AM) e Airton Faleiro (PT-PA) e vai reunir o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai); representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva; representante da Fiocruz Amazônia; representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil; representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; e procurador da 6ª Câmara do Ministério Público Federal, que trata de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais.

A iniciativa dos parlamentares é baseada no documento subscrito por 32 procuradores que afirmam risco de genocídio dos povos indígenas e cobram ações emergenciais dos órgãos públicos.

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