Crônica

Volta às aulas

A universidade não é fácil, mas dá para encarar, acreditem. É normal ter receio de não conseguir conciliar todas as atividades exigidas pelos diferentes professores; é estressante ter de lidar com pessoas com opiniões tão diversas da nossa, e, principalmente, lidar com nossas próprias expectativas. A gente se cobra muito.

Graciene Siqueira

Graciene Siqueira Todas as terças uma crônica com temas variados.

18/03/2020 18h06Atualizado há 2 semanas
Por: Redação

Eu ia escrever uma crônica sobre como os alunos adoram fazer drama sobre o começo do semestre letivo. Uns se benzendo; outros desejando fervorosamente que o professor não vá ao primeiro dia de aula; outros encarando o semestre letivo como uma batalha a ser vencida.

Pensei em fazer umas piadinhas sobre isso ou o significado desses “desejos”. Sim, porque a gente expressa o que a gente acredita, né? E mais, atraímos aquilo que pensamos. Logo, se eu começo o semestre achando que ele vai ser barra pesada, acreditem: ele vai ser. Cheguei a fazer uns posts engraçados sobre esse drama, mas decidi falar algumas coisas para ajudar os alunos a enfrentarem o período que, para eles, se assemelha à batalha de Winterfall (bons entendedores, entenderão).

A universidade não é fácil, mas dá para encarar, acreditem. É normal ter receio de não conseguir conciliar todas as atividades exigidas pelos diferentes professores; é estressante ter de lidar com pessoas com opiniões tão diversas da nossa, e, principalmente, lidar com nossas próprias expectativas. A gente se cobra muito.

Não estou dizendo que é fácil ficar horas sentados, ouvindo professor, driblando o sono e/ou o cansaço de mais um dia de trabalho. O celular, a festa em alguns dos currais, ou simplesmente a conversa com o colega ao lado pode ser mais atraente...

A universidade é o primeiro grande compromisso que muitos alunos enfrentam sozinhos, por sua própria conta, sem o acompanhamento dos pais, o que ocorre até mais ou menos o Ensino Médio. Em Parintins, isso é agravado pelo fato de muitos não apenas darem um salto do Ensino Médio para a Universidade. Alguns precisam “saltar” de uma cidade para outra, e dar conta não apenas dos estudos, mas também das finanças.

E isso amedronta. Eu sei disso, passei por isso também. Muitos outros passaram. Mas, o fato é que cada um tem um caminho diferente a trilhar. O seu nunca vai ser igual ao do seu colega da direita ou da esquerda. Ou ao meu. Então, sugiro que ao invés de sofrer por antecipação, já pensando nas atividades que os professores vão passar, nas provas, no cansaço, vocês, alunos, se desafiem. A fazer o melhor de vocês no curso que vocês escolheram.

E, se este não é o curso que você queria – como sabemos que acontece –, você pode fazer mudanças no meio do caminho sim. Quem disse que aos 16, 17 ou 18 anos a gente já sabe com certeza o que quer fazer pro resto da vida? Alguns sortudos decidem ainda crianças e nesse sonho perseveram, mas ninguém é igual a ninguém. E, novamente, isso não é um problema.

Quatro ou cinco anos em um curso, não é pouco tempo. Já que você decidiu estar em Parintins, no curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Ufam, faça o seu melhor. Caminhe apesar do medo. E quando achar que não dá conta sozinho, busque os amigos, os professores, os familiares. Você não precisa entrar no campo de batalha sozinho. E saiba que você vai colher resultados e, mais ainda, um dia vai sentir falta dessa loucura que é o Ensino Superior.

Professora Doutora Graciene Siqueira 

Graciene Silva de Siqueira

Graciene Silva de Siqueira é professora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas em Parintins desde 2009. Possui mestrado em Ciências da Comunicação (UFAM/Manaus) e doutorado em Letras (Mackenzie/SP).

Trabalhou onze anos em redações de jornais como A Crítica, A Notícia, Diário do Amazonas e O Estado do Amazonas, nas funções de repórter, colunista e editora. Apaixonou-se por filmes quando trabalhou em uma videolocadora nos anos 1980. Escreveu roteiro de curtas-metragens premiados no Amazonas, como Telefone sem fio, Além da vida e Sonhos, e outros exibidos em festivais, como Mormaço e Próximo ponto. Pesquisa e coordena projetos relacionados à Sétima Arte na Ufam. Em seus planos estão escrever o roteiro de um longa-metragem e um livro de crônicas.

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