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Política DEPOIMENTO

Mandetta revela a existência de “Gabinete Cloroquina”

Sem ser contundente contra o presidente Jair Bolsonaro, ex-Ministro revela que governo tinha pronto decreto ilegal para mudar bula da cloroquina

04/05/2021 22h22
Por: Eduardo Gomes
Mandetta revela a existência de “Gabinete Cloroquina”

A existência de um gabinete paralelo – já batizado de “Gabinete da Cloroquina” - no Palácio do Planalto com a função de assessoramento do presidente Jair Bolsonaro em relação a pandemia; a existência de uma minuta de decreto para alterar a bula do medicamento hidroxicloroquina com a indicação para o tratamento do Covid-19; a omissão e a falta de interesse do ministro da Economia, Paulo Guedes sobre a pandemia; e o desinteresse do Governo em assinar contrato para aquisição de vacinas em agosto do ano passado que poderia evitar uma segunda onda e a morte de milhares de pessoas.

Esta foi a síntese do depoimento do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Quem esperava um depoimento contundente do ex-ministro da Saúde contra o presidente Jair Bolsonaro, se decepcionou. O ex-ministro, o primeiro a depor na CPI da Covid do Senado, adotou a linha de médico defensor da ciência. Faltou ao ex-ministro citar os nomes dos componentes do “Gabinete Cloroquina”.

A rigor Mandetta durante sete horas de depoimento reafirmou o que é conhecimento de todos: a postura negacionista do governo Bolsonaro.

Apostou na falácia de imunidade de rebanho, mediante a infecção da população mesmo diante do cenário de morte de milhares de brasileiros.

A de postura do Governo talvez assessorado pelo “Gabinete Cloroquina” revelou a crueldade dos inquilinos do Palácio do Planalto, para não arcar com dispêndio de gastos, com leitos de UTI, medicamentos, insumos, EPIs e até mesmo aquisição de vacinas.

Apesar de não trazer para CPI informações bombásticas, Mandetta deu aos senadores a linha de investigações que pode causar mais dor de cabeça ao Governo Bolsonaro.

Não convenceu ― A informação da impossibilidade da presença do ex-ministro general Eduardo Pazuello nesta quarta-feira para prestar depoimento à CPI do Covid no Senado foi uma estratégia furada.

Sob alegação que teve contato com dois coronéis infectados pelo coronavírus, e por conseguinte, evitar o depoimento presencial onde ficaria cara a cara com os senadores, sugerindo depoimento semipresencial soou mais falso que uma nota de três reais.

Senadores ironizaram a preocupação do ex-ministro para com os senadores, lembrando que há duas semanas, Pazuello foi flagrado circulando sem máscaras em um shopping em Manaus.

O Governo não contava com a atitude firme do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). Refutou a tese de depoimento semipresencial transferindo o depoimento para o próximo dia 19.

Foi na gestão de Pazuello que a pandemia grassou o País, especialmente em Manaus. Pazuello terá que explicar a recusa da compra de vacinas no ano passado, a falta de oxigênio em Manaus, falta de medicamentos para intubação, a tentativa de impor o “Kit Covid”, dentre outras mazelas protagonizadas em sua gestão.

Bonecos de ventríloquos ― O Palácio do Planalto criou novos personagens na CPI do Covid. São os bonecos de ventríloquos interpretados pelos senadores bolsonaristas Ciro Nogueira (PP-PI), Jorginho Mello (PL-SC), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO). Os quatro reproduzem em plenário, requerimentos e perguntas elaboradas pelo Planalto. As trapalhadas ficaram evidenciadas em uma pergunta feita pelo senador Ciro Nogueira, a mesma enviada na véspera por engano pelo ministro das Comunicações Fábio Farias ao ex-ministro Henrique Mandetta.

Pela culatra ― As trapalhadas dos senadores bonecos de ventríloquos acabou irritando o presidente Jair Bolsonaro e seus auxiliares mais próximos. Na avaliação do Planalto, Mandetta estava preparado para enfrentar os “bonecos”. O desconforto aumentou quando o ex-ministro desmascarou publicamente a estratégia do Governo ao municiar os senadores com requerimentos e questionamentos, como foi o caso de Ciro Nogueira.

Mais trapalhadas ― O governo Bolsonaro já coleciona uma série de trapalhadas diante da CPI da Covid. A mais célebre foi o vazamento de 23 questionamentos elaborados pelo próprio governo. Isso acabou dando mais munição à Comissão.

Convocação ― Tachado de "desonesto intelectualmente” por Mandetta, o ministro da Economia Paulo Guedes ficou na alça de mira na CPI do Covid. Segundo o ex-ministro da Saúde não havia interação entre a Saúde e o Ministério da Economia, além do desinteresse de Paulo Guedes em relação à pandemia.

Na berlinda ― Durante o depoimento de Mandetta acabou sobrando para o governador do Amazonas Wilson Lima (PSC) ao responder perguntas do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Segundo o ex-Ministro não faltaram recursos para o Governo do Estado para o enfrentamento da pandemia. Responsabilizou o Estado e Municípios nas decisões de aplicação dos recursos, como compra de equipamentos. Diante da resposta do ex-Ministro, Braga na réplica disse que “Faltaram competência, gestão, transparência e fiscalização”.

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