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Bairros de Parintins começam a ser engolidos pelas águas dos rios

A Defesa Civil deve apresentar parecer técnico favorável ao decreto do estado de emergência na Iha Tupinambarana

03/05/2021 01h09
Por: Redação
Foto: Carlos Alexandre
Foto: Carlos Alexandre

 

Parintins (AM) – Ruas alagadas, motos transitando próximo a canoas, trabalhadores tendo que colocar os pés na água para vender seus produtos. Parintins é uma das cidades no baixo amazonas (localizado a 369 quilômetros de Manaus) que já está enfrentando problemas com a cheia dos rios. O portal CNA7 esteve neste domingo (02/05) visitando algumas das áreas tomadas pela força da natureza.  No bairro Santa Rita de Cássia, na rua Silves, condutores de motos e bicicletas transitam normalmente enquanto pequenas embarcações são ancoradas na margem da rua. Na feira do bagaço o comerciante Gardovan Rodrigues, 62, viu as águas invadirem a rua de onde mora e trabalha há mais de 30 anos, em dois dias. Ele assegura que mesmo que a cheia se iguale ou seja superior que 2009 ele não deve sair do lugar. “É difícil trabalhar pisando na água, mas não sairemos daqui, pois temos contas pra pagar, três filhos pra criar e se formos pra aluguel é pior, então fico por aqui, lutando devagar”, diz ele.

Rua Silves no bairro de Santa Rita de Cássia.

Os trabalhadores da feira do bagaço irão se reunir nesta segunda-feira (03/05) para a compra de madeira para a construção de pontes. O vendedor de pescado Manoel Lago abordado pela reportagem não quis gravar entrevista. “Não adianta falar”, disparou. O feirante José Marilzon, 73, disse que já enfrenta sérios prejuízos com a cheia. Neste domingo durante todo o dia de trabalho ele conseguiu apurar apenas R$ 50. “Nós não trabalhamos com capital próprio e olha nossa situação como está. Estamos devendo.  Está estragando muita verdura por causa disso aí”, informou. Na rua desembargador João Corrêa, no bairro Santa Clara, a agricultora Eunice Ribeiro pediu da prefeitura a construção de pontes na área.

Feira do Bagaço no bairro da Francesa. 

Emergência

A régua fluviométrica tem oscilando nos últimos dias. Ela já chegou está 2 centímetros maior que a cheia de 2009, mas neste domingo marcou menos dois centímetros. O nível do rio Amazonas neste domingo estava com 9 metros e 6 centímetros. De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Adriano Aguiar, nos últimos dias aumentaram os pedidos para a construção de pontes. “Estamos fazendo o máximo para atender tanto a zona urbana como zona rural”. Ele confirma que esta semana encaminha o parecer técnico de sua coordenadoria ao prefeito Bi Garcia e solicitará a assinatura do decreto de emergência do município.

O secretário de Obras do município, Albano Albuquerque, informou que na semana que passou foram encerrados os trabalhos de construção de pontes na rua Coronel Barreto Batista entre São Francisco e Senador José Esteves. Ele assegurou o inicio da construção de passarelas na rua Silves, feira do bagaço, reforma de pontes no beco submarino e no bairro de Santa Clara.

Na casa do pescador Antônio Freitas a sala da casa já foi tomada pelas águas.

Previsão 

Sem ter onde morar, na comunidade de Vila Amazônia, na boca do Paraná do Ramos de baixo, a família do pescador Antônio Freitas de Alfaia, 53, mora em um barraco improvisado na beira do rio. Ele, em sua experiência de pescador, prevê que a cheia deste ano seja maior que 2009. “Estamos em maio e ainda temos muito tempo pela frente pra encher. Se encher como esses anos todos, ela vai buscar a de 2009 e ainda vai deixar pra trás”, acredita.

Antônio Freitas lava as mãos no assoalho da casa dele com a água do rio. 

A água já alagou parte da casa dele e para manter os frízeres, onde armazena o pescado para as vendas, construiu marombas, como são conhecidas as elevações do assoalho.  Na casa improvisada no rio ele mora com a esposa, dois filhos e um cachorro. No mesmo cômodo funcionam, cozinha, quarto e o banho é no rio. “Nesse momento de cheia aparece cobra, dá medo não é bom morar assim. Mas quando seca a gente pesca, a gente vende, a gente consegue ganhar um dinheirinho”, explica a pescadora Eliane Maia de Souza, 49, que ainda sonha em construir uma casa e sair da beira do rio onde mora há 8 anos.

Mesmo sobre as águas a vida segue sua rotina normal para a pescadora Eliane Maia. 

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