Crônica

O último lugar

Aquela que realmente importa é a nossa expectativa sobre nós mesmos. Do que somos capazes de realizar.

06/03/2020 04h33
Por: Redação
Uma das experiências esportivas da autora. Foto: Reprodução Facebook
Uma das experiências esportivas da autora. Foto: Reprodução Facebook

A crônica é atual, mas a história é antiga. É sobre uma corrida da qual participei ano passado em Parintins. Há um tempo queria escrever sobre ela e eis aqui a oportunidade.

Quem me conhece sabe que não sou atleta, nem mesmo frequento academia assiduamente. Gosto de manter-me em determinado peso – aquele que permita que a maioria das minhas roupas caibam em mim – mas não me esforço muito para isso. Digo... Às vezes, por dois ou, no máximo, três meses pratico alguma atividade física esperando que ela queime as calorias em excesso que vou ingerir durante o ano.

Então... não treino para corridas, mas quando me convidam, lá vou eu. Mais por incentivo dos amigos do que realmente habilidade para tal, é verdade. O resultado já devem imaginar: estou sempre entre os últimos colocados.

E dessa posição, na corrida em questão, observei as pessoas me olhando. Percebi aquela expressão do tipo: “coitada, todos já passaram, mas essa ficou pra trás”. Alguns até riram e fizeram piadinha.

Isso não me incomodou, afinal, sou pé no chão. Ninguém colhe o que não plantou. Se eu não me preparei fisicamente, é claro que não vou estar entre os primeiros colocados.

Assim, estar em último lugar não é um problema. De forma alguma. Quem olha lá da frente ou mesmo de fora pode até pensar: “não corre nada... vai ser a última a chegar...”. Mas de onde me encontro, eu penso: “Uau, estou correndo! Vou conseguir completar a prova! Que vitória!

Percebem a diferença de expectativas? Aquela que realmente importa é a nossa expectativa sobre nós mesmos. Do que somos capazes de realizar. Viver tentando atender as expectativas dos outros vai nos frustrar. Sempre.

Para mim, correr não se trata de prêmio, mas de superar minhas limitações, especialmente a física. A verdade é que caminho a maior parte do percurso nas corridas das quais participo – ainda que corra em alguns trechos. Não é muito em comparação aos outros, mas é o meu máximo. E isso significa muito para mim.

Logo, não se preocupe se hoje você não é o primeiro nas coisas as quais se dedica. A gente precisa de tempo, dedicação e consistência para conquistar melhores posições. Estar no último lugar hoje não significa que você não possa estar entre os primeiros amanhã.

Graciene Siqueira escreve todas as terças
neste espaço.  

Graciene Silva de Siqueira

 

Graciene Silva de Siqueira é professora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas em Parintins desde 2009. Possui mestrado em Ciências da Comunicação (UFAM/Manaus) e doutorado em Letras (Mackenzie/SP).

Trabalhou onze anos em redações de jornais como A Crítica, A Notícia, Diário do Amazonas e O Estado do Amazonas, nas funções de repórter, colunista e editora. Apaixonou-se por filmes quando trabalhou em uma videolocadora nos anos 1980. Escreveu roteiro de curtas-metragens premiados no Amazonas, como Telefone sem fio, Além da vida e Sonhos, e outros exibidos em festivais, como Mormaço e Próximo ponto.

Pesquisa e coordena projetos relacionados à Sétima Arte na Ufam. Em seus planos estão escrever o roteiro de um longa-metragem e um livro de crônicas.

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