Coluna da Cláudia

Um passeio quase perfeito

Armada de óculos de sol, chapéu e felicidade, além do protetor solar e do senso de aventura, entrei no carro disposta a curtir o passeio e relaxar.

Opinião

OpiniãoOpinião da Central de Notícias da Amazônia - CNA7!

28/02/2020 03h54
Por: Carlos Alexandre

 

Sol.

Céu azul.

Um dia perfeito.

Um dia perfeito para andar de carro, de carro novo. Neste caso, uma Mercedes-Benz SL conversível branca, que vai de zero a 100 em 3,9 segundos. Seiscentos e trinta cavalos de potência!!! É velocidade pura! Palavras do meu pai. E como um bom motorista que é (e feliz da vida com o carro novo), ele me convidou para dar uma volta numa autoestrada próxima, aqui na Alemanha.

E lá fomos nós. Estrear o conversível do papai.

Armada de óculos de sol, chapéu e felicidade, além do protetor solar e do senso de aventura, entrei no carro disposta a curtir o passeio e relaxar.

Sentei-me no banco do passageiro, coloquei o cinto de segurança e os pés no painel (para desespero do meu pai) e esperei a velocidade aumentar para aliviar o calor. De olhos fechados, prestava atenção no barulho do motor. Ainda que ele não existisse realmente. É super-rápido e silencioso, disse meu pai.

E uma coisa é certa: que carro maravilhoso. É impossível não se sentir voando, flutuando... A sensação é de liberdade. De frescor. De felicidade. De umidade?

Chuva? Sim! Era chuva. A meteorologia tinha avisado que teríamos chuvas esparsas por causa do calor. E, no verão, nada melhor que uma chuvinha para refrescar o calor quase infernal. Mas havia algo de podre nessa chuva. Mais do que podre, o cheiro lembrava...

MERDA!!! Gritou meu pai.

Sentindo um aroma digno de banheiro de beira de estrada, tirei os óculos, abri os olhos e lá estava ela: a merda. Da pior forma possível. Líquida, pegajosa, fedorenta.

Antes de entrarmos na autoestrada, e muito antes de sairmos da garagem de casa, o cano de esgoto do vizinho explodiu nos atingindo igual a uma mosca na parede: em cheio. E numa velocidade...

Enfim, o que era para ser um dia perfeito, tornou-se um perfeito fedor, que durou vários dias de banhos, perfumes, banhos e mais perfumes. Quanto à Mercedes-Benz nova do papai, depois de inúmeros banhos e perfumes (mais fortes que o Chanel nº 5), ele preferiu trocá-la. Em vez de conversível branco reluzente de antes, agora temos um Mercedes prata também reluzente, mas sem a capota reversível. A imagem do conversível transbordando merda ainda causa muita dor ao meu pobre pai.

 

Cláudia Dans Dias

Cláudia Aparecida Dans Dias é professora de língua portuguesa e mestre em Letras (Mackenzie/SP). Mora em São Paulo, capital, e leciona na rede pública do estado. É apaixonada por livros, histórias e por literatura. Essa paixão se evidência no livro que sempre leva na bolsa quando sai. É autora do blog Palavra Escrita, onde exercita outra paixão: escrever.

Além disso, tem dois textos publicados em duas coletâneas. O primeiro “O discurso que não educa e nem ensina: um estudo do conto ‘O professor de inglês’ de Luiz Vilela” está na obra Literatura – revelação do mundo: estudos e intersecções, organizado por Éverton Santos e Matheus Bispo. O segundo texto “O livro é a chave!” faz parte da coletânea A mulher e o livro: uma relação em prosa e verso, cuja organização foi de Esther Alcântara.

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