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Estado embala as facções que pariu

A ascensão do crime organizado demonstra para a sociedade que tal poder não é coisa nova.

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12/02/2020 08h17Atualizado há 2 semanas
Por: Eduardo Gomes
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Foto: Reprodução
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Por Eduardo Gomes

O Estado perdeu, há muito tempo, as rédeas da Segurança Pública. Os episódios da noite da última segunda-feira, 10, quando a população assistiu a uma grande queima de fogos de artifício perpetrados por membros de uma facção criminosa e amplamente divulgados pela mídia e redes sociais é apenas mais um capítulo do que a população de Manaus e do interior do estado vem acompanhando nos últimos vinte anos.

A ascensão do crime organizado demonstra para a sociedade que tal poder não é coisa nova. É fruto de décadas de omissão, promiscuidade, corrupção, troca de favores, conluios, esquemas fechados entre a marginalidade e agentes públicos do Estado. Aliado a esses fatores, soma-se a falta de uma eficaz política de segurança pública, políticas sociais, a formulação de leis mais eficazes que não dêem margens a interpretações dúbias pelos operadores do Direito.

Esse enredo já assistimos em vários países em passado recente, onde a criminalidade se entranhou na estrutura do Estado.

Pior que a ousadia dos criminosos e afirmar publicamente seu império do mal, é a desfaçatez de alguns agentes pseudamente indignados. Vão para as redes sociais com discursos fáceis, esquecendo eles que foram até bem pouco tempo parte de uma engrenagem e que podiam ao seu tempo contribuir de alguma forma contra a onda criminosa vindo em um crescente a olhos complacentes do Estado. Deixaram e até fomentaram de certa forma, o surgimento das facções criminosas.

O tráfico de drogas não traz dividendos financeiros somente aos produtores e comercializadores. Ela alimenta uma vasta cadeia onde estão envolvidos agentes públicos e privados de vários níveis.

Ao longo de 20 anos, o Estado foi um mero expectador do crescimento exponencial do tráfico de drogas. E aí, quando o poder paralelo do crime expõe sua garra para toda uma população, este mesmo Estado esboça uma pífia reação. Institui um “gabinete de crise” termo muito recorrente nos dias atuais, para quando não se quer fazer nada.

Hoje o tráfico de drogas não domina somente regiões e bairros para o comércio ilícito. Em alguns pontos de Manaus eles exercem o poder de um Estado paralelo como um todo, afetando a vida das famílias. E os agentes do Estado são conhecedores dessa realidade.

Há uma necessidade de o Estado brasileiro passar uma depuração completa nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. É preciso uma reformulação do sistema legal substituindo por normas mais rígidas sem que propicie a interpretações dúbias.

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