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Especiais Mototaxistas

Cenas inusitadas na rotina sobre duas rodas pelas ruas de Parintins

Condutores de motos relatam fatos vivenciados no dia-a-dia de quem atua no transporte de passageiros na Terra do Boi Bumbá

31/01/2020 11h48
Por: Floriano Lins
Idas e vindas sobre duas rodas mostram o outro lado da rotina de pais de família que arriscam suas vidas e vivem cenas inusitadas no anonimato do transporte público mais utilizado pelos parintinenses. Foto/Ilustrativa/Floriano Lins
Idas e vindas sobre duas rodas mostram o outro lado da rotina de pais de família que arriscam suas vidas e vivem cenas inusitadas no anonimato do transporte público mais utilizado pelos parintinenses. Foto/Ilustrativa/Floriano Lins

Por Niash dos Anjos

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Em Parintins (distante 369 Km em linha reta de Manaus) o transporte público mais procurado é o mototáxi. Cerca de 400 mototaxistas fazem parte da Cooperativa dos Mototaxistas de Parintins (Coopmoto), entidade que representa a categoria na cidade. Entre inúmeras idas e vindas eles são os guardiões da informação. Em muito dos casos, escutam e presenciam diversos fatos, mas pouquíssimas pessoas sabem. Confira algumas narrativas de mototaxistas em Parintins.

 

O ARREPENDIDO DE MAUÉS

 

Ao longo dos sete anos como mototaxista, Augusto Costa* conta que já viveu algumas situações inusitadas, algumas delas perigosas, outras cômicas. “Certa vez, um homem aparentando estar atribulado pediu para irmos em vários lugares, durante o trajeto comecei a conversar com ele e contei algumas passagens bíblicas para tentar ajudar a mente dele. Com o passar dos minutos o mesmo pediu para eu parar numa localidade, lá ele desabou em lágrimas e contou que pretendia me assaltar, levar minha moto, celular e dinheiro, mas mudou de ideia após os relatos bíblicos. Ele disse que era foragido do sistema prisional de Maués (AM) e estava afastado dos caminhos de Deus. Como consideração ele não me assaltou e ainda pediu para eu o levar em alguma igreja, mas após essa situação nunca mais o vi novamente, relatou Augusto.

Outra situação vivida pelo parintinense é bastante inusitada e se parece com um filme de Hollywood, em determinado momento ele ficou feliz, em seguida triste e no final não sabia, mas o que sentir.

 

SORTE E AZAR!

 

“Por voltas das 16h30min, na rua larga do bairro União, um homem de 1,80m bem avantajado fez sinal para uma corrida. Ele pediu para irmos a vários lugares da cidade, em certo momento disse que tinha gostado da minha pessoa e iria pagar R$ 50,00 e fiquei bastante animado, pois não é todo dia que se é recompensado com esse valor. Dando prosseguimento, fomos ao bairro Itaúna II, rua da 3ª Delegacia Interativa de Parintins, chegando ao final da rua ele anunciou o assalto, e pediu tudo que eu tinha. Eu disse que o único dinheiro era o que ele havia me prometido que foi os cinquenta reais, não satisfeito o mesmo viu que eu tinha um celular, tomou de mim e saiu correndo em direção ao mato, eu tentei seguir, mas fiquei com medo. Após isso, fiquei triste, pois ainda estava pagando prestações do celular”, disse o mototaxista.

Após o ocorrido o mesmo ficou abalado pela situação, e sem ânimo para continuar o trabalho decidiu retornar para casa no bairro União, lá ele conta que teve uma surpresa.

“Cheguei em casa e disse para minha mulher que havia sido assaltado, no meio da conversa ela pediu para eu não ficar triste, eu perguntei o motivo, então ela disse que o bandido foi vender meu celular para uma boca de fumo que fica na rua atrás da minha casa, o traficante do local reconheceu a minha foto na tela do celular e recusou a compra, e ainda disse que eu era morador da comunidade e trabalhador então pediu do assaltante o celular para me entregar, o bandido não quis dá e saiu correndo do local. Na fuga mais de 10 curumins foram atrás dele, conseguiram alcançar o indivíduo próximo ao campo do São Paulo e tomaram meu celular, em seguida foram entregar lá em casa para minha mulher. No final minha esposa pediu para eu ir até os homens e agradecer por eles terem recuperado o celular”.

 

TRAFICANTE DO UNIÃO

 

O condutor João Pedro*, que trabalha na profissão há mais de 10 anos, conta que alguns meses atrás foi chamado para fazer uma corrida com sua moto Broz. “Um homem me ligou por volta das 21h, pediu para ir busca-lo na Estrada do Macurani, próximo à quadra da Arena Brito. No momento eu não estava de serviço. Achei incomum e estranhei, pois ele queria que eu o levasse para a ocupação do bairro União, só que ele havia pedido para que fôssemos por trás, por uma estrada de barro, de difícil acesso (assim evitaria passar pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e rua larga do Bairro União), um caminho bem perigoso naturalmente e de noite, mais ainda. Enfim, acabei recusando, pois não estava de serviço, mas o homem insistiu dizendo que já tinha feito o trajeto com alguns mototaxistas. No final das contas recusei e não fiz a corrida”, disse.

Três meses depois o experiente mototaxista teve uma surpresa sobre o homem da ligação. “Meses depois acabei viajando para Manaus. Lá, alguns colegas mototaxistas me informaram que saiu no noticiário que este homem havia sido executado por traficantes rivais, o mesmo estava sendo procurado e saia da invasão da União, somente de noite e sempre realizando o caminho pelo trajeto que ele havia me pedido. Graças a Deus foi um livramento, vai que na minha corrida acontecesse algo trágico”, relatou João Pedro.

 

A INFIEL DA IGREJA

 

A vida de um motorista com sua moto é um verdadeiro divã para aqueles que são infiéis, casos de infidelidade é comum em Parintins, e o mototaxistas, de certo ponto, acaba sendo cumplice mesmo sem querer.

Augusto Costa conta que teve que ser ‘cumplice’ de uma traição. “Certa vez uma cliente pediu uma corrida, estávamos na orla da União, após passarmos pela ponte Amazonino Mendes, sentido Centro, a mesma pediu para eu evitar passar em frente a uma igreja evangélica, pois o seu marido estava no culto e ela queria uma corrida até o Chamegos (motel), lá iria se encontrar com um outro homem e trair o marido. Acabei não passando pela igreja, tive que fazer um contorno, pois só assim não passaríamos no local em que o marido se encontrava. Deixei a cliente no motel, após isso a mesma pediu meu contato para que eu a buscasse na volta, cerca de uma hora depois ela me ligou e levei até a orla da União”, contou.

 

COROA EM BUSCA DA DIVERSÃO

 

Ainda segundo Augusto, outro relato de traição chamou a atenção do mesmo. “No início de janeiro desse ano, estava no Mangueirinha, que fica na rua larga, Bairro Itaúna II, era por volta das 22h, um travesti me abordou e perguntou quanto era a corrida para duas pessoas até o final da Avenida Paraíba. Quando terminei de falar o preço, o travesti mais um senhor de idade aparentando entre 50 a 60 anos montaram na minha moto, eu achei bem estranho. No caminho, o coroa disse que era para o programa com o travesti, ser rápido, pois era casado e sua mulher o aguardava em casa. No final deixei ambos no local indicado e achei bem engraçado aquilo que havia presenciado, pois até um senhor de idade comete adultério e no caso com um travesti”.

 

* A pedido dos mototaxistas, usamos nomes fictícios nos relatos.

 

Edição/Floriano Lins

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