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Política JOGO DO PODER

David Almeida, o eleito

Eleição de David Almeida e o cenário que se abre para 2022

29/11/2020 19h44 Atualizada há 2 meses
Por: Eduardo Gomes
David Almeida, o eleito

Com uma diferença de 2,54% dos votos válidos, o ex-deputado estadual David Almeida é o novo prefeito de Manaus. Ele venceu com 466.970 votos o ex-governador e ex-prefeito de Manaus Amazonino Mendes (Podemos) que recebeu 443.747 votos, neste segundo turno. A diferença nominal foi de 23.223 votos. David Almeida é o 16º. prefeito eleito pelo voto popular para a Prefeitura Municipal de Manaus. O resultado da eleição é o espelho do acirramento da campanha eleitoral neste segundo turno das duas candidaturas, agravada na última semana.

 Vitória amarga

David Almeida em sua primeira entrevista minutos depois do resultado consagrando-o como prefeito eleito, demonstrou dois sentimentos adversos. O sentimento de vitória e ao mesmo tempo de tristeza, já que pela manhã deste domingo (29/11) cumpriu o doloroso dever de sepultar sua mãe Rosa Almeida, falecida neste sábado no Hospital Adventista, vítima de complicações decorrentes da Covid 19. Por conta da internação da mãe, David Almeida restringiu sua atuação na campanha. Aliás David, já acumulava uma perda, a da esposa Lúcia Almeida.

 De cabo eleitoral a prefeito

David Almeida ingressou no universo político em 1996, quando foi contratado pelo atual senador e então prefeito Eduardo Braga como motorista e office boy da secretária de Braga, Regina Fernandes. Discreto, ele começou a traçar sua caminhada, graduando-se em Direito. No início de sua trajetória política sofreu rejeição ao pedir apoio de caciques para se candidatar a vereador e deputado estadual. Perseverante, ele conseguiu transpor as barreiras até se eleger deputado estadual e conquistar a presidência da Assembleia, cargo que o levou a governar o Amazonas no mandato tampão, após a cassação do então governador José Melo (PROS).

Cacife político

Apesar de derrotado nas urnas, Amazonino Mendes sai da disputa com uma razoável soma de votos, demonstrando que ainda tem musculatura política. Último prefeito nomeado em 1983 pelo então governador Gilberto Mestrinho, Amazonino exerceu ainda mais dois mandatos de prefeito de Manaus pelo voto direto, quatro de governador do Estado e senador pelo Amazonas. Pode ser considerado o maior político contemporâneo do Amazonas, superando até mesmo seu criador, Gilberto Mestrinho, com um legado que vai perdurar durante muitos anos.

Começa novo jogo

Com o fim das eleições municipais em segundo turno neste domingo, tem início o novo jogo eleitoral para o pleito de 2022 para o governo do Estado. Em princípio os nomes lembrados são do senador Eduardo Braga (MDB), o atual prefeito de Manaus que deixa o cargo em 31 de dezembro Arthur Neto (PSDB), o atual governador Wilson Lima (PSC), o senador Omar Aziz (PSD) e algum nome que represente o bolsonarismo.

Viabilização eleitoral

Dentro dos possíveis nomes há, no entanto, algumas questões. O senador Eduardo Braga possui de certa forma bom trânsito no eleitorado no interior do Estado. O seu principal desafio é mudar a imagem perante o eleitorado de Manaus, cujo desgaste ficou muito acentuado nas últimas eleições que disputou. Há ainda o fantasma da Lava-Jato, onde foi citado e está sob investigação. O governador Wilson Lima, postulante natural à reeleição, também enfrenta desgaste e precisa revertê-lo no próximo ano. Arthur Neto sai da Prefeitura com algum saldo eleitoral em Manaus, mas com pouca e nenhuma penetração no interior e o senador Omar Aziz que premido pelos escândalos na Saúde, deu uma mergulhada, além de ter em seu costado as investigações da Lava-Jato.

Velha política

Neste domingo, 2º. turno das eleições municipais, marca o retorno da velha política. Os partidos considerados de centro reconquistaram espaços, perdidos momentaneamente com as eleições de 2018 quando o eleitor foi encantado com o propalado novo. Os números demonstram isso. O DEM, ex-PFL do falecido ex-senador e governador da Bahia e hoje comandado pelo seu neto, o futuro ex-prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, renasceu das cinzas. Elegeu 450 prefeitos nestas eleições contra 265 eleitos em 2016. O MDB, PSD e o PSDB elegeram pouco mais de 2550 dos mais de 5.570 prefeitos eleitos e reeleitos no País. Os partidos da chamada extrema direita principalmente identificados com o bolsonarismo tiveram um desempenho pífio nestas eleições.

Sem capitais

O PT amarga uma derrota fragorosa. Não conseguiu eleger nenhum prefeito de capitais. Depois de quase três décadas, o partido não conseguiu emplacar nenhum candidato no primeiro e segundo turno para as prefeituras das capitais. A derrota pode significar o fim do lulopetismo, cujo desgaste vem desde 2006, quando do escândalo do Mensalão e depois a Lava-Jato.    

Encolheu

No campo da esquerda, os partidos perderam terreno. O PT encolheu 30% na disputa pelas Prefeituras nestas eleições municipais, seguido do PSB com perda de 40% e o PDT teve uma redução de 8%. O anti-lulapetismo instalado a partir das eleições de 2018 mostrou ser eficiente nestas eleições. Tanto que o PDT e o PSB assumiram a ponta no protagonismo da esquerda. 

 

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