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De “Las Picotas” à Parintins: A Ilha completa hoje 168 anos

Este ano, em virtude da Pandemia, comemorações do aniversário da ilha tupinambarana foram suspensos

15/10/2020 13h19 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação
Cidade de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro
Cidade de Parintins. Foto: Yuri Pinheiro

 

Parintins (Am) – Quando o capitão espanhol  Francisco Orellana viajava em busca do país da Canela e do “El Dorado”, viu, às margens do rio Amazonas, cabeças de índios secas espetadas em estacas. Era a primeira notícia publicada sobre a cidade de Parintins, descrita no diário (que hoje se encontra no museu de Madrid) de Frei Gaspar de Carvajal, no dia 23 de junho de 1542. Por causa, disso chamaram o pequeno povoado de “Las Picota”, que significa também “Pelourinho”, que seria uma pedra pública onde se expunham inimigos mortos.

Hoje, mais de quatro séculos depois, o cenário é bem diferente. A chegada à antiga ilha “Las Picotas” é sinônimo de alegria. Quem aporta em Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) de barco, ou lancha, como fez Orellana no bergantim Victória, de longe, ainda no rio, avista a majestosa Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Já quem chega por meio aéreo ou de “asa dura”, como o parintinense denomina o avião, logo avista a igreja de São Benedito, às margens do rio Parananema, e um dos monumentos da cidade, o portal em formato de cocar. Para os índios, o cocar representa poder, conquista, pois apenas os grandes líderes espirituais e tribais puderam usar. “O portal representa nossas raízes indígenas. São os nossos ancestrais dando boas vindas a quem chega à cidade”, explica Enéas Gonçalves, ex-prefeito que inaugurou o Portal em 2003, ao lado do ex-governador Eduardo Braga e do ex-presidente Lula.

Portal da cidade de Parintins ao lado do aeroporto Júlio Belém. Foto Yuri Pinheiro 

 

Pelo rio ou pelo ar são as alternativas de chegada e saída de Parintins. Todos os dias, pousam entre dois ou três aviões no aeroporto Júlio Belém, sendo apenas um comercial, os outros são Táxi-aéreo e dos Correios. Atualmente, a empresa Passaredo Linhas Aéreas (antes Map) possui voo para Parintins. Na época de baixa temporada as passagens aéreas variam entre R$ 200 e R$ 400, preços que dobram durante o Festival. Por falar em Festival, na última semana do mês de junho, Parintins ganha torre de controle e aviões passam a pousar com mais frequência. A cidade ganha operações da Azul e da Gol linhas aéreas. Só a Passaredo, em 2019, fez 188 voos, na última semana de junho. 

A navegação também se intensifica. Os “barcos de linha” aumentam o número de viagens,  tanto do Amazonas quanto barcos do Pará. Só no cais do porto são cerca de 300 embarcações, porém toda a orla do município vira porto alternativo. Nos barcos, as passagens custam entre R$ 80 e R$ 100 reais e em lanchas R$ 180.

  Arte: Alan Chagas 

 Economia: Das fibras douradas orientais ao boi de pano

O Município de Parintins teve apogeu econômico quando os japoneses chegaram e se instalaram na comunidade de Vila Batista, hoje Vila Amazônia. O povo do sol nascente atravessou o mundo para implantar o novo ciclo de fartura nessas terras no coração da Amazônia, com o cultivo da juta juta e malva, que se tornou a principal fonte de emprego e renda para as famílias, por mais de três décadas.

Além disso, os japoneses fortalecerem a saúde, com a instalação de uma unidade hospitalar na Vila Amazônia, sob o comando de Dr. Toda. Ryota Oyama aclimatou a semente asiática da juta, em Vila Amazônia, dentro do projeto dos Koutakuseis, coordenado por Tsukasa Uyetsuka, com o apoio do Governo do Japão, na década de 1920.

Praça em homenagem aos japoneses, em Parintins.
Praça em homenagem ao japoneses em Parintins. Foto: Alan Chagas. 

 

Com o ciclo econômico da juta, grandes empresas se instalam na cidade de Parintins, como a Fábril Juta, onde hoje é Cidade Garantido, que empregou milhares de pessoas na indústria têxtil. O professor universitário, Camilo Ramos, brinca com esses detalhes. “Parintins é a terra do já teve. Já teve três cinemas, fábricas grandiosas e teatro”.

Parintins já teve também o maior rebanho de gado bovino do Estado do Amazonas, perdeu a posição para o município de Boca do Acre. Se o boi de carne sustentou por muitos anos a economia local, hoje quem dá as ordens é o boi de pano. Com a ascensão do Festival Folclórico de Parintins, boa parte da população se prepara o ano inteiro para ganhar dinheiro e conseguir um emprego temporário. “É o natal do parintinense” destaca a dona de casa, Valdinete Rodrigues, 50. 

A proprietária da Pousada Linhares, a empresária Socorro Linhares, durante o festival, aluga todos os quartos do meio de hospedagem e consegue fazer uma renda maior do que consegue arrecadar durante todos os outros meses do ano. Ela conta que, para manter a hospedaria funcionando nos outros meses, fora da época do boi, realiza promoções com os preços das diárias. Mas a Ilha Tupinambarana ainda conta com trabalhadores que mantém viva profissões que já não são mais vistas em outras localidades como a do carroceiro, o picolezeiro e a profissão que mais faz sucesso com o visitante, o tricileiro.

Com a pandemia do novo Coronavírus não foi realizado o Festival Folclórico deste ano. Sem a principal festa que fomenta o setor econômico do município, de acordo com o prefeito Bi Garcia a cidade perde cerca de R$ 80 milhoes. 

Larice Butel no obelisco de homenagem ao centenário de Parintins.
Foto: Arleison Cruz. 

 História 

A historiadora Larice Butel considera que a cidade tem pelo menos três datas de fundação. A primeira quando as missões religiosas encontram o que ela chama de “Província dos Tupinambaranas”, em meados de 1600. O segundo momento ocorre com a instituição da missão de São Miguel dos Tupinambaranas, em 1669, coordenada pelo padre jesuíta, o alemão João Felipe Betendorf, fundador da missão dos Tupaiú (Santarém - Pará). O terceiro momento ocorre com o decreto de 15 de outubro de 1852, que transforma Parintins em município.

Mas a cidade também já foi chamada de Ilha Las Picotas, São Francisco Xavier dos Tupinambaranas, Tupinambarana, Vila Nova da Rainha, Freguesia de Tupinambarana, Vila Bela da Imperatriz e Parintins. Oficialmente, neste dia 15 de outubro de 2020, Parintins comemora 168 anos de emancipação política.  “E ainda tem uma situação que é interessante que quando os missionários chegam e instituem a missão em Parintins e é erguida a primeira capela,  e é isso que caracteriza a tomada de posse do espaço pela igreja, o acesso a cidade ele era muito complicado. Então, para ficar melhor o acesso de outras comunidades que viriam do Andirá, eles transferem a sede da missão para o Rio Uaicurapá. Por algum tempo, a sede do munícipio  fica lá, depois eles retornam a Parintins de novo”, revela Larice.

No processo de conquista, o parintinense é colonizado pelas missões religiosas oriundas de Portugal. Posteriormente, chegam outros grupos para trabalhar na Amazônia em busca de novas perspectivas. “Aí temos os círios libaneses, que são os judeus que vem para cá, depois nós tivemos, eu acredito que a maior influência estrangeira em Parintins, a colônia japonesa que deixa todo aquele legado que é já é sabido do cultivo de juta. Os italianos com o Pontifício das Missões Estrangeiras (Pime) e aí a gente destaca também a presença muito recente de descoberta de negros”, conta Butel.

Ela diz ainda que Parintins é a primeira localidade a abrir mão do trabalho escravo. “Havia projeto de engenhos instituído em Parintins que não saíram do papel exatamente, porque a gente não conseguiu, na época, trabalhar com essa mão de obra. Nessa época, o coronel José Furtado Belém foi um dos grandes precursores para que a questão do trabalho escravo fosse abolido” descreve.

Festival de Parintins. 

 

 

Conheça o calendário cultural da cidade

A secretária de cultura e turismo do município de Parintins, Karla Viana, considera o maior evento da cidade o Festival Folclórico. De acordo com ela, em 2019 aproximadamente 80 mil turistas visitaram a terra dos bois Garantido e Caprichoso . O número crescente de visitantes se dá em virtude dos incentivos às manifestações culturais, a divulgação em feiras e em mídias regionais e nacionais intensificada nos últimos dois anos.

Mas, Garantido e Caprichoso não são os únicos atrativos culturais do município. Para destacar as outras manifestações, a prefeitura de Parintins preparou um calendário cultural que fomenta a economia e movimenta a cidade. No interior do Amazonas o melhor carnaval de rua é realizado na Ilha Tupinambarana com o Carnailha e o Carnaboi. “São dois dias de blocos carnavalescos e um dia de Carnaboi com uma demanda expressiva de turistas”, informa Karla Viana.

O calendário segue com o Festival Folclórico do segundo grupo com apresentação de quadrilhas e danças, pássaros e os bumbás mirins que antecedem o espetáculo dos bumbás Garantido e Caprichoso. Paralelo a isso também acontece a escolha do Cartaz do Festival, no mês de abril. No mês de julho o período de 6 a 16 é dedicado a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade. O Festival Folclórico dos bois Garantido e Caprichoso em miniatura no mês de agosto, o Festival Folclórico do Mocambo e o Festival de Verão do Caburi.

No mês de outubro para comemorar o aniversário da cidade é realizado o Festival de Toadas. “É o reconhecimento da toada como nosso patrimônio”, destaca a secretária. No mês de dezembro ocorre o Festival de Pastorinhas, brincadeira centenária de cunho religioso que é incentivada pelo município. Viana assegura que o município trabalha na implantação do museu da cidade, que será instalado no antigo prédio da prefeitura, o Palácio Cordovil, que faz parte do centro histórico da cidade. Recentemente, o local teve o Mercado Municipal Leopoldo Neves revitalizado, unindo a arquitetura original com a modernidade.

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