Segunda, 16 de Maio de 2022
27°

Muitas nuvens

Parintins - AM

Meio Ambiente Amazônia

‘Caribe Amazônico’ ameaçado

Universidade Federal do Oeste do Pará monitora a área desde 2014 e identificou aumento nos níveis de mercúrio no sangue dos moradores de Santarém. De acordo com a PF, garimpeiros despejam 7 milhões de toneladas de rejeitos no Rio Tapajós.

20/01/2022 às 09h35
Por: Redação Fonte: G1 Santarém - PA
Compartilhe:
Faixa de areia separa águas barrentas e claras no balneário turístico de Alter do Chão (PA) - Élder Stéfano/Poraquê Turismo
Faixa de areia separa águas barrentas e claras no balneário turístico de Alter do Chão (PA) - Élder Stéfano/Poraquê Turismo

Uma região do Pará conhecida como “Caribe Amazônico” está diferente. E isso não é bom.

A região de águas esverdeadas e praias de areia branquinha à beira do Rio Tapajós se chama Alter do Chão. Está localizada em Santarém, no Pará. Nos últimos meses, as águas cristalinas começaram a apresentar uma coloração barrenta. Cientistas e moradores suspeitam da atividade de garimpo ilegal na parte alta do Tapajós.

“Não é só pela cor da água, mas também pela contaminação que vem junto com essa cor, que é o mercúrio que vem da exploração da atividade garimpeira no alto Tapajós”, diz o artesão Laudelino Sardinha.

Os garimpos ilegais ficam a cerca de 300 quilômetros de Santarém. Antes, por causa da distância, a maior parte dos resíduos acabava armazenada no caminho. Mas com o aumento de áreas degradadas, a poluição chegou a Alter do Chão.

Segundo o Instituto Socioambiental, em apenas um ano, a área devastada pelo garimpo ilegal na terra indígena Munduruku cresceu mais de 300%.

Os garimpeiros despejam 7 milhões de toneladas de rejeitos no Tapajós, de acordo com a Polícia Federal.

“Esse problema da contaminação está atingindo praticamente toda a bacia do Tapajós e colocando em risco não só as populações tradicionais, mas todo o cidadão amazônida”, afirma Paulo Basta, pesquisador da Fiocruz.

A Universidade Federal do Oeste do Pará monitora a área desde 2014 e identificou aumento nos níveis de mercúrio no sangue dos moradores de Santarém.

“Esses níveis de exposição, a gente considera elevados, considerando o limite que é estipulado pela Organização Mundial da Saúde, que é de até 10 microgramas por litros, e nós temos voluntários que apresentam até 10 vezes mais”, conta a pesquisadora Suelen Souza, da Ufopa.

Outro reflexo do desmatamento é a maior presença de algas e bactérias, que liberam substâncias tóxicas.

“Pode ser algo que está influenciando o aumento dessas bactérias, na coloração, assim como outros usos de solo que não são sustentáveis”, diz a pesquisadora Dávia Talgatti, da Ufopa.

Nesta quarta-feira (19), o governo do Pará mandou uma equipe para sobrevoar Alter do Chão e diz que vai analisar a situação na área, que é de preservação ambiental.

“Começar a montar uma fiscalização específica para a área do Rio Tapajós, bem como fazer uma análise dos reais motivos dessa turbidez”, disse o secretário de Meio Ambiente do Pará, Mauro de Almeida.

“São centenas de quilômetros de praia no Rio Tapajós que agora estão sendo banhadas por águas barrentas. O transparente da água, que é um atrativo a mais, está comprometido”, afirma o morador Dórisson Lobato.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Amazônia
Amazônia
Sobre Notícias sobre a Amazônia!
Parintins - AM Atualizado às 12h46 - Fonte: ClimaTempo
27°
Muitas nuvens

Mín. 25° Máx. 30°

Ter 32°C 23°C
Qua 28°C 22°C
Qui 29°C 21°C
Sex 28°C 20°C
Sáb 31°C 22°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes
Enquete
Ele1 - Criar site de notícias